Por Eudes Baima, professor universitário, mestre em Educação Brasileira (1996, UFC) e doutor em Educação Brasileira (2010, UFC):É como os namorados e namoradas dizem ao outro quando querem acabar o namoro: “não é você, sou eu”.
Não é que não tenha gostado, mas saio de As Cidades Invisíveis (Italo Calvino), a releitura peculiar do autor para O Livro das Maravilhas*, de Marco Polo, com a sensação de que não estive à altura do livro.
Claro, não fui cego ao ponto de não perceber o entrançado de metáforas da vida na cidade contemporânea, a critica da urbanização do século passado, as derivações filosóficas e a prosa poética que marcam a obra.
Como também não fiquei alheio ao fato de que o texto paga um grande tributo ao subjetivismo e ao relativismo que, a partir dos anos 1960 empalmaram a produção cultural. Afinal, o dilema que conduz o livro é a realidade ou não do grande Império de Kublai Khan, cujo cronista é Marco Polo.
Também não posso esconder, em favor do livro, que resisto um pouco ao estilo fabuloso, mesmo que numa fábula abertamente paródica.
Há ali uma transcendência. Mas talvez o problema, se é que é um problema, tenha sido justamente este, eu não me abandonei ao transcender proposto.
Como sou novato na obra de Calvino, fui constrangido a comparar o livro ao outro que li dele, O Dia de um Escrutinador, e tive a impressão de que este é superior a As Cidades Invisíveis.
Com a obra do autor praticamente toda traduzida para nossa língua, tenho muita picada para abrir no cipoal do universo de Calvino. Sigamos.
_________
* Os relatos de Marco Polo, o comerciante veneziano que explorou a Ásia no Século XIII, aparecem em português sob diversos títulos, O Livro das Maravilhas, As Viagens de Marco Polo, As Maravilhosas Viagens de Marco Polo, ou apenas As Viagens.


Fique por dentro do mundo financeiro das notícias que rolam no Ceará, Nordeste e Brasil.