E se Lula não for candidato?

Por Roberto Maciel, jornalista, editor do portal InvestNE:

Vi agora a entrada na Avenida Marquês de Sapucaí a Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que homenageia o presidente Lula com um samba-enredo empolgante para uns e, para outros, capaz de matar de inveja. São quase 22h do domingo de Carnaval – 15 de fevereiro de 2026, anotando melhor para aqueles que são apegados a datas e horários.

Bateu-me, então, um corisco no juízo: o presidente Lula está pouco se lixando para o escarcéu que a hidrofóbica oposição tem feito pelo tributo da escola de Niterói. Tem se mostrado impassível diante de ataques contra ele e a escola. “Será que esse comportamento é de quem vai mesmo ser candidato?”, pensei cá com meus botões.

O repórter da Rede Globo disse faz pouquinho tempo que há 10 ações nada festivas contra o desfile e o presidente, em diferentes órgãos de controle e instâncias judiciais. E assim mesmo Lula se mostra inabalável e despreocupadíssimo? Mais ainda: a orientação do Palácio do Planalto é de que os ministros não vão para a escola de samba. Será que, se vogar a primeira tese e o presidente abrir mão de tentar um quarto mandato, o candidato do Lula vai sair do ministério?

Pergunta para finalizar: “Lula estaria se despedindo dessa etapa da vida revolucionária e incomum que tem e entrando pra história de forma tão impactante, mas menos violenta e mais inteligente, quanto a do ex-presidente Getúlio Vargas?”

Ou seja, estaria terminando em altíssimo nível não somente um trecho da vida dele, mas da história da Nação.

Tudo isso, claro, está apenas no campo da especulação. São só as vozes da minha cabeça. Não estou dizendo nem que sim nem que não, não consultei ciganas, oráculos nem fontes. Estou só recorrendo a um modelo de exercício imaginativo que muito se fazia nas HQs: a realidade alternativa, só isso.

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É evidente que não é num desfile de escola de samba no Carnaval carioca que se constrói um cenário político consistente e responsável para o País, mas as coisas precisam mesmo soar tão estranhamente?

Seria (quase) óbvio também que, diante de riscos políticos extremos, algum assessor mais atilado tivesse procurado o chefe e avisado: “Lula, não se meta nisso que a boca é quente. Isso é juridicamente perigoso para qualquer plano de reeleição. Deixe pra lá. Agradeça à escola e siga em frente.”

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A propósito: há dois nomes no gabinete de Lula com exposição extremamente positiva – Camilo Santana (Educação) e Fernando Haddad (Fazenda). Camilo, que é senador, já anunciou que deixará a pasta sem confirmar o que fará, em termos de campanha eleitoral, depois do afastamento.

Camilo é nordestino como Lula. É jovem. É simpático e política e administrativamente bem-sucedido. Tem a experiência de ter sido duas vezes eleito para governar o Ceará. Já se falou que ele vai assumir o comando da campanha do governador Elmano de Freitas, mas desde ontem há quem aposte alto que essa tarefa caberá ao senador Cid Gomes (PSB).

Sei não, viu?

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