Por Roberto Maciel, jornalista:
Acompanho atentamente o noticiário político-policial-jurídico que se produz às toneladas, sabe Deus a mando de quem (aliás, isso é só força de expressão – Deus e a torcida do glorioso Fortaleza Esporte Clube sabem quem manda). É meu mister, reconheço, e minha sina.
Deparo-me sempre nos últimos dias com informação publicada, meio que na base do copia e cola: “Fulano de tal viajou em avião de Daniel Vorcaro”; ou “Sicrano de tal viajou em avião do sócio de Daniel Vorcaro”; ou “Beltrano de tal viajou em avião da professora que deu aulas de Moral e Cívica no primário à filha do amigo do vizinho do irmão de Daniel Vorcaro que já morreu mas morava em Governador Valadares”.
Tá sério, isso. Tão sério que me dei a reflexões.
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Já fui ombudsman e, lembrando daqueles tempos, considero que teria pratos cheios, transbordantes de mau jornalismo para tratar nas minhas mal traçadas linhas. Vou direto ao ponto: há um volumoso misto de má vontade, apuração porca, distorção, meias-verdades, inverdades, golpismo, tucanismo, bolsonarismo e sensacionalismo assinado por nomes como Mônica Bergamo, Malu Gaspar, Eduardo Oinegue, Vera Magalhães, William Waack, Joel Pinheiro e Andrea Sadi – cito só esses, posto que são mais expostos, despudoradamente expostos.
A lógica é tão ilógica que se Daniel Vorcaro for portador de ações da Gol ou da Latam uma manchete vai se justificar:
Roberto Maciel viajou em avião de Daniel Vorcaro
Afinal, deduz-se que se Daniel Vorcado, o vigarista que virou banqueiro e virou presidiário, por ser dono de ações de determinadas empresas é “dono” das empresas. Ou, mais precisamente, que é “dono” dos aviões. Partindo daí, conclui-se que ministros do STF e esposas, o filho do presidente Lula e personagens mil mamaram nas fartas e suculentas tetas da corrupção que Vorcaro ofereceu às famílias coroadas do império petista.

Importante: gente graúda como Ciro Nogueira, Jair Bolsonaro, Hugo Mota, Eduardo Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro, Ricardo Nunes, Flávio Bolsonaro, Zé Trovão, Bia Kicis, Ibaneis Rocha e Romeu Zema, tão próxima do dono do Banco Master, não é citada uma única vez nas abundantes “análises” e “denúncias” tornadas públicas. Parecem que viajam de ônibus. Nikolas Ferreira (foto acima), esse não escapou: foi citado numa única oportunidade, embora tenha feito nove viagens a serviço do bolsonarismo, num “avião de Vorcaro”.
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O fato é que busca-se não desvendar ilegalidades ou “curiosidades”, como Mônica Bergamo insistia em repetir hoje, ou amarelamente justificar, num confuso comentário em rádio mencionando o filho do presidente Lula, que teria viajado em avião de um advogado (Lulinha, imagina-se, nada faz na vida além de passear pelos céus do Brasil). Tenta-se mesmo é dar continuidade ao golpe de 8 de janeiro de 2023. Naquela data, quebrou-se tudo em Brasília. Agora, almeja-se quebrar somente a espinha dorsal do estado democrático de direito: a Justiça.


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