Por Roberto Maciel, jornalista, editor do portal InvestNE:
Leitor maníaco que sou, sempre compreendi biografias como entrevistas que o biógrafo faz com o biografado mesmo que sejam só por meio documentos e imagens. Os bons entrevistadores nunca me enganaram: conduzem como ninguém a arte de perceber detalhes e a capacidade de esgrimir a verdade com os outros. Os biógrafos, nessa relação estranha, conseguem assim extrair dos personagens histórias, impressões, sentimentos e sensações, medos, amores, frustrações e alegrias – isso, cá entre nós, meio que resume a vida.
Lira Neto é um dos biógrafos que mais atraem minha atenção. Somos colegas de profissão, saímos da mesma faculdade, vivemos a mesma classe média numa mesma época intranquila. Fomos contemporâneos no jornal O Povo, onde fomos editores do caderno de Cultura e ouvidores. Posso dizer, então, que compreendo a curiosidade e o respeito que tem por personalidades tão magnéticas quanto polêmicas, até porque também nos incluímos numa só geração.
E aí me aparece o livro “Discursos à Nação – Trabalhadores do Brasil”, que enfeixa o que se estima como uma coletânea das melhores manifestações públicas do ex-presidente Getúlio Vargas. O lançamento está marcado para a próxima quarta-feira (18.3), às 19h, na efervescente Brasília, na livraria Platô. Pode-se dizer que seja uma extensão ou um complemento da trilogia sobre a vida e o legado de Getúlio, mas acredito que tenha vida própria.
Lira conquistou, com a obra diversa que construiu e vem construindo, uma legião de admiradores. Entre esses está o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. É ele quem assina o prefácio de “Discursos à Nação – Trabalhadores do Brasil”. Arrisco-me a afirmar que Lula (também biografado, mas por Fernando Moraes) é fruto do trabalhismo getulista, embora saiba que não há interseções de conteúdos dos dois. Lula tem um traço ideológico diferente do de Getúlio – tem ambições distintas, olhares mais plurais e mais modernos, claro, embora tenham ambos feito opção pelo populismo.
Registra Lula logo no início do prefácio:

É uma espécie de remição por não ter reconhecido a importância de Getúlio no tempo certo. O leitor há de se perguntar: “E se Getúlio Vargas tivesse dado, ainda que indiretamente, indicações para Lula? Se tivesse recebido naqueles anos a atenção que Lula diz hoje dar a ele, como seria o País?”
Continua Lula, agora sobre o livro novo de Lira:

Prossegue e finaliza o presidente da República:

Pode-se garantir, sem receio, que abordagens como essa podem ser inseridas em leituras indispensáveis. Num cenário em que tanto se carece de análise qualificada, senso de responsabilidade e inteligência, os discursos de Getúlio se mostram não somente ajustados ao tempo passado, mas afinados com o que se tem hoje.
É a propósito disso, e considerando a causa do fim da extenuante e ultrapassada jornada de trabalho 6×1, que fisgo do texto de Lula a seguinte observação:

Isso posto, anote: “Discursos à Nação – Trabalhadores do Brasil” será lançado no próximo dia 18, às 19 horas, na Livraria Platô, em Brasília (loja 12 do CLS, 405, na Asa Sul).
Tenho dito!


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