Por Roberto Maciel, jornalista:
O trecho abaixo foi extraído de matéria publicada no site “Revista Oeste”, exemplar da extrema-direita brasileira que derrama elogios sobre tudo em que enxerga excludente e perigoso para a Democracia. A matéria data de 11 de janeiro passado:
“O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que não vê qualquer razão para dialogar com o colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito da crise venezuelana e manifestou publicamente a sua preferência pela vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial do país deste ano. As declarações foram dadas por Milei em entrevista ao jornalista Andrés Oppenheimer, da CNN, publicada neste sábado (10)”.
Na mesma postagem registra-se que “Flávio Bolsonaro reagiu de forma entusiasmada à manifestação pública de apoio do presidente argentino. Para ele, o gesto confirma a sintonia entre lideranças que defendem a liberdade econômica e uma integração regional orientada pelo mercado. Nas redes sociais, o pré-candidato à Presidência pela direita sustentou que, a partir de 2027, a eventual convergência política entre Brasil e Argentina poderia se traduzir em “parceria comercial efetiva”.
E mais: “Se eleito, o senador prevê redução de barreiras, estímulo ao comércio bilateral, cooperação em energia e infraestrutura e reposicionamento do Mercosul em bases mais pragmáticas. Para ele, o endosso de Milei sinaliza um ambiente externo favorável à construção desse eixo econômico, em contraste com o modelo que o argentino critica nos governos de esquerda”.
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Eis aí um nó para os golpistas de 8 de janeiro desatarem.
Se Flávio Bolsonaro tanto admira e tanto anseia pelo apoio de Javier Milei, se o tem como referência (ignorando a inflação demolidora de 32% que se tem na Argentina) na direita lacradora, se quer se espelhar nas reformas draconianas do país vizinho, como vai se virar perante o eleitor?
E se Milei, tão miseravemente dependente de outros governantes, inclusive (ou sobretudo) Lula, como vai se manter puxando o saco do rancoroso extremismo brasileiro?
Sabe-se que ontem (12.2) Javier Milei, controlando a parte mais larga do parlamento, determinou uma reforma trabalhista que estabelece para empregados jornadas até 12 horas diárias e que acaba com férias de 30 dias e com horas-extras. Isso tem nome no meio sindical: inferno. Mais: senha para manifestações e pressões contra o governo. Milei, deve-se supor, não vai ter buenos dias tão cedo. Talvez ache que vai atrair para a Argentina empreendimentos como Coco Bambu, Havan, Mormaii e outros que têm graves problemas com direitos trabalhistas, vá saber!
Flávio também não deverá ter sossego: o namoro explícito do bolsonarismo com o mileismo, duas manifestações da mal-preparada e autoritária direita latino-americana, há de ser uma chave para a desconfiança contra o filho do presidiário Jair.
Quem viver verá.


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