O levantamento do sigilo sobre os documentos do caso envolvendo o financista bilionário e predador sexual Jeffrey Epstein, que se suicidou na cela do centro correnal Metropolitano, em Nova York em 10 de agosto de 2019, expôs uma rede internacional com representantes da ultradireita que une crimes sexuais, como pedofilia, a entusiasmados debates para impulsionar políticos simpáticos a ele pelo mundo afora.
No Brasil, Epstein deixa claro sua preferência por Jair Bolsonaro em conversas com Steve Bannon, ex-estrategista no primeiro governo Donald Trump, e articulado d’O Movimento, a internacional neofascista que tem Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em seu comando na América Latina. O nome do ex-presidente brasileiro, preso por liderar uma tentativa de golpe, aparece em ao menos 74 arquivos dos documentos revelados do caso Epstein.

Em uma das transcrições, divulgadas em meio aos documentos que tiveram sigilo levantado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) na sexta-feira (30), Epstein chegue a sugerir a Bannon um slogan para a campanha de Bolsonaro em 2018: MBGA.
A conversa ocorreu 12 de outubro de 2018, quando os dois conversavam sobre o cenário internacional, que envolvia figuras da ultradireita como Marini Le Pen, na França, Matteo Salvini, na Itália, e Jair Bolsonaro, no Brasil.
“No seu voo de volta para casa, reserve um tempo para avaliar SUA posição no tabuleiro. Você precisa descansar! Bolsonaro, Le Pen, Salvini, Wilbur, não gosto do cenário”, disse Epstein. O financista então aconselha Bannon a ter uma “equipe de apoio forte” para atuar como consultor na campanha de Bolsonaro. “Meu medo é que você esteja sendo isolado. Perigoso”, aconselhou.
Após falar sobre o cenário em Israel, Epstein reclama por Bolsonaro ter classificado como fake News a associação entre ele e Bannon. “Eu não gostei de Bolsonaro chamar qualquer associação com você de fake News. Embora eu entenda”, diz. “Eu preferiria um chapéu da MBGA”, diz, sugerindo o slogan Make Brazil Great Again, em referência ao slogan MAGA, Make America Great Again, usado por Trump. “Tenho que manter essa coisa do Jair nos bastidores”, responde Bannon. “Meu poder vem do fato de não ter ninguém para me defender”, emendou.
Quatro dias antes, Epstein elogiou Bolsonaro em conversa com Bannon. “Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia”, diz na mensagem.
Bannon respondeu a Epstein que era próximo ao grupo do ex-presidente. “Eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?”, indagou, antes de continuar a conversa no dia 12 de outubro.

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