Por Roberto Maciel, editor do InvestNE:
Já carrego nas costas mais de 40 anos de jornalismo. Fui muita coisa na profissão: repórter, editor-adjunto, editor (o que ainda sou), chefe de reportagem, ombudsman, colunista (continuo sendo) e até comentarista de TV. Fui às ruas e vi muito, assim como fiquei nas redações tensas e cuidei de decidir como os textos seriam apresentados aos leitores. Também fui assessor de Imprensa e participei de campanhas eleitorais e de atividades sindicais. Trabalhei com gente inteligentíssima e competente, mas também precisei conviver com o oposto. E com pessoas boas e com pessoas ruins, gentis, grosseiras, educadas, violentas. Nomes? Não digo nenhum para não parecer rancor ou para não correr o risco de ser injusto.
Ralei pra caramba, esse é o fato!
Somando isso tudo a tantas precariedades e aborrecimentos – não posso garantir, mas me sinto bastante propenso a processar, julgar e condenar o estresse -, ingressei na aposentadoria com duas pontes mamárias e duas de safena, um monte de cicatrizes na cabeça, de onde se retirou um tumor, menos um rim e uma carência quase infantil por humor.
Ralei pra caramba, sim, e posso provar: sou um sobrevivente.
Vi a tecnologia chegar, vi métodos serem substituídos, li e guardo manuais de redação e acompanhei procedimentos éticos sendo alterados para o bem ou para o mal.
Fiz esse preâmbulo curto para dizer que na vida laboral (que expressão horrorosa…) conheci muita gente, presenciei muitos episódios e ouvi muitas conversas. Aprendi a identificar virtudes de longe, mas também mal-intencionados, picaretas, achacadores, chantagistas e aproveitadores.
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Li muito, na semana passada, que o ministro Flávio Dino, do STF, havia reclamado à Polícia Federal que um blogueiro de São Luís (MA) o perseguia e à família dele. Que expunha, sabe-se lá com que fontes, rotinas da esposa e dos filhos. Que até informava os nomes dos seguranças que os acompanham, assim como revelava cor, placas e trajetos dos carros que usavam. O sujeito se chama Luís Pablo Conceição Almeida.
Vi na TV, por estes dias, o jornalista Merval Pereira, figura da proa das organizações Globo, atacando o Poder Judiciário e dizendo que a agressão a um ministro do STF não significa agressão ao STF. Citou ele dois casos, querendo atenuar a gravidade dos episódios: o de Dino, que estava na pauta, e o de Alexandre de Moraes e família, constrangidos por um bolsonarista no aeroporto de Roma. O ataque na Itália teve até um tabete no filho do magistrado. Merval, com viés golpista e interessado em não-sei-quê, não acha que aquilo foi contra o Judiciário – talvez espere que algum maníaco mate um ministro do Supremo ou um parente para que isso se considere ato de terror.
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Havia, no que gerou os fatos mais recentes, uma claríssima intenção de constranger Flávio Dino, atacar a Justiça e de vulnerabilizar a família dele, segundo apurou a Polícia Federal – não se sabe ainda a serviço e pagamento de quem. O mesmo está se fazendo contra Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Jornalistas lavajateiros dizem que não. Acusam a Justiça, essa sim, de atentar contra o livre exercício da profissão de jornalista.
Tá na cara, e ninguém consegue disfarçar, que as ações são orquestradas, que têm os alvos definidos e que já engajam cúmplices com argumentos fajutos.
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Pois é, meninos, meninas e menines, eu vi….


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