Por Roberto Maciel, jornalista:
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem não é ficção. Como fugitivo e informante perigoso em potencial, pode causar estragos estupendos no fascismo brasileiro se, para salvar a própria pele, abrir o bico. Considerando pertinente a comparação, o homem é uma bomba ambulante de muitos megatons como era o “Sicário”, cúmplice do banqueiro Daniel Vorcaro – o nome do sujeito era Luiz Phillipi Mourão e ele, como fartamente noticiado foi, morreu após se enforcar com uma frágil camiseta de malha num xadrez da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG).
Ramagem foi preso por uma conduta que dá cadeia braba nos Estados Unidos, onde estava foragido da polícia e da Justiça brasileiras, mas já está (estranhamente) à solta – embora ainda tenha contas a prestar com a Justiça de lá. O caso dele foi definido como grave: não tinha visto de permanência das autoridades migratórias do País, seja temporário ou não. Isso dá cadeia e expulsão.
Pois repare: o notório direitista está recebendo recados um tanto desesperados. Ao mesmo tempo, tentam os bolsonaristas mais articulados convencer os mais tontos pelas redes sociais que o ex-delegado da PF passa por situação sem importância, que foi apenas “detido para ajustes”. Balela! Estava em cana e a mulher dele, Rebeca, procuradora de Roraima, também pode estar sob o olhar da Gestapo de Donald Trump, o ICE.
Disse-se, como publicou outro criminoso brasileiro que se esconde nos EUA, Allan dos Santos, que o buraco não era tão fundo: “Alexandre Ramagem encontra-se em procedimento administrativo de imigração nos Estados Unidos, sem qualquer acusação criminal. A defesa já está atuando e o caso segue os trâmites legais perante as autoridades competentes”.
Allan dos Santos terminou como uma mentira grosseira: “A @revista.timeline2 [que pertence a ele] está dando todo o suporte necessário para esposa e filhas. Tudo será resolvido em breve”. A tal “Time Line” está mesmo é enrolada numa briga judicial com outro personagem de perfil questionável, o jornalista Luís Ernesto Lacombe, que era sócio de Allan e dele teria levado um, digamos, golpe. A revista não tem como dar apoio a ninguém, mas o prazo curto de desembaraço do engodo nesse momento inicial de fato se cumpriu.
Outros nomes de proa do extremismo, Sóstenes Cavalcante, Nikolas Ferreira, Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Flávio Bolsonaro publicaram postagens com o mesmo tom, variando do pouco caso às esperanças vãs.
Assim escreveu Paulo Figueiredo, neto do ditador João Batista Figueiredo: “Ramagem não foi preso, mas detido após uma abordagem policial em Orlando, inicialmente por uma infração leve de trânsito e, na sequência, encaminhado ao ICE – procedimento comum na Flórida”.
É fato: Alexandre Ramagem continua sendo um galho a ser quebrado pelo bolsonarismo. É pesado. Devis, e ainda deve, haver gente torcendo para que se torne um novo “Sicário” ou um novo Adriano da Nóbrega.


Fique por dentro do mundo financeiro das notícias e opiniões que rolam no Ceará, Nordeste e Brasil.