Por Roberto Maciel, jornalista:
A extrema-direita no Senado, formada por parlamentares bolsonaristas, ruralistas e subordinados a grandes corporações, tomou a pior decisão que poderia na questão do fim da jornada de trabalho 6×1: obstruiu a tramitação do texto. Com esse procedimento radical, a matéria só deverá chegar ao plenário da Casa depois do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.
Sem estratégia nem votos em plenário, os radicais contrários aos trabalhadores criaram uma armadilha para si e se submetem à desconfiança do eleitor: será que depois do primeiro turno vão votar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC)? E, se votarem, vão extinguir a 6×1?
O temor real dos bolsonaristas, e plausível, é o de que os governistas capitalizem os ganhos com a PEC que cria a escala 5×2, substituindo a 6×1. Trata-se de uma jornada mais racional e respeitosa, assegurando aos trabalhadores mais tempo para o descanso, o lazer, os estudos e a família.
“Houve um movimento bem sucedido da oposição”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PT-AC), líder do governo no Congresso Nacional, se referindo ao esvaziamento do plenário e à impossibilidade de votação. Segundo ele, foi feita uma “ação coordenada” de oposicionistas com participação direta dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato a presidente da República, e do líder da oposição, o também senador Rogério Marinho (PL-RN). O objetivo foi o de desmobilizar os parlamentares para uma possível votação.

Finalizou o líder do Governo: “A oposição é contra o fim da escala 6×1. Ponto”.
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Estabeleceu-se, dessa forma, uma linha divisória importante, embora não necessariamente desejada: os direitistas, que historicamente odeiam a classe trabalhadora e se esforçam no que for possível para prejudicá-la, tornaram mais lenta e penosa a tramitação de uma matéria que é bem avaliada pela sociedade. Destruíram sonhos e expectativas positivas.
Colocou-se numa bandeja à disposição dos progressistas, entre o quais os apoiadores do presidente Lula (PT) na campanha pela reeleição, um argumento importante na diálogo com a sociedade. Torna-se, então, muito muito fácil definir de que lado estão uns e outros. E o voto se desfaz de muitas complexidades e ganha volume no que diz respeito à resposta política.
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Dado muito relevante: Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho se esconderam ontem da Imprensa. Fugiram para não falar sobre as perdas que causaram e que ainda pretendem causar aos trabalhadores.
Típico de quem é covarde, claro.


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