Considerado um dos nomes mais qualificados da gestão cultural do Brasil, o cearense Henilton Menezes não integra mais a equipe da ministra Margareth Menezes. Ele deixou o cargo de secretário de Fomento do Ministério da Cultura, órgão que responde por políticas de incentivo como a Lei Rouanet. Diz que vai iniciar um “novo ciclo” que inclui o Ceará, Minas Gerais e Sçao Francisco, na Califórnia (EUA).
Aposentado do Banco do Nordeste, Henilton Menezes foi um dos criadores do Centro Cultural Banco do Nordeste – segmento que tem unidades em Fortaleza e em Juazeiro do Norte (CE) e em Sousa (PB). Atuou no Ministério da Cultura no governo de Dilma Rousseff e no terceiro mandato do presidente Lula. Ele é jornalista e produtor de música e cinema.
Confira carta aberta que destinou a colegas e outros agentes culturais:
Queridos amigos e amigas, trabalhadores e trabalhadoras da cultura brasileira,
Há três anos aceitei uma missão que mudou profundamente minha vida. A convite da Ministra da Cultura, Margareth Menezes, e do Secretário-Executivo, Márcio Tavares, assumi a responsabilidade de ajudar a reconstruir o sistema de fomento cultural do Brasil — após um período que preferimos não reviver, nunca esquecer.
Aceitei porque acreditava que era possível trabalhar a várias mãos para reerguer políticas públicas essenciais e devolver ao país instrumentos capazes de democratizar o acesso aos recursos, nacionalizar oportunidades e ampliar a fruição da arte e da cultura em todos os territórios brasileiros.
Para esse desafio, reuni parte dos servidores públicos que estiveram comigo na minha primeira gestão (2010-2013). Uma equipe comprometida, que preservou a memória institucional, protegeu sistemas e informações e nunca deixou de acreditar que a cultura voltaria a ocupar o lugar que merece. Foi um trabalho duro e coletivo. A eles, meu primeiro e mais profundo agradecimento.
Tive ao meu lado a gestão do Ministério da Cultura — Ministra, secretários, diretores, coordenadores, dirigentes das instituições vinculadas e equipes nas representações estaduais. Contamos também com parlamentares que defenderam o sistema de financiamento cultural criando marcos legais que tornaram viável essa retomada.
Imprescindível foi a confiança dos agentes culturais, públicos e privados, de todo o Brasil — CNIC, produtores, artistas, gestores e secretários estaduais e municipais de cultura. Por fim, às empresas patrocinadoras, estabelecendo parcerias estratégicas capazes de dialogar com a demanda do país.
Nada disso, porém, seria possível sem o apoio generoso da minha família. Meus filhos e minha companheira compreenderam o tamanho da responsabilidade assumida, deram-me coragem e dividiram comigo os sacrifícios pessoais que essa missão exigiu.
Hoje, saio com a sensação de missão cumprida. O sistema público de financiamento à cultura, em especial a Lei Rouanet, está de volta: mais robusto, mais transparente, mais confiável e juridicamente mais seguro — resultados já reconhecidos, inclusive, por estudos recentes da FGV.
Foram 38 meses percorrendo o Brasil, passando por todos os estados, ouvindo, dialogando e buscando compreender e responder às demandas diversas — muitas vezes divergentes —, mas sempre legítimas.
A partir de 1º de março, inicio um novo ciclo. Vou me dedicar a novas missões, sobretudo aquelas pessoais: estar mais perto de quem amo, viver com mais presença entre Fortaleza, Belo Horizonte e San Francisco, exercendo aquilo que também me define — ser pai, avô, marido e amigo.
A SEFIC segue forte, com outra liderança, mas com a mesma equipe preparada para continuar essa missão de promover o desenvolvimento da cultura brasileira. O tempo agora é de passagem, renovação e busca de novas conquistas.


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