O pitoresco episódio da ameaça de prisão do pré-candidato Ciro Gomes (PSDB) contra um eleitor ganhou nos últimos dias nova versão. Há nas redes sociais uma leitura distante de uma trapalhada política e próxima de um recuo – estratégico ou forçado, não há consenso. A recente análise é de que o que Ciro enxergou como “símbolo do Comando Vermelho”, feito por um sujeito na plateia, era, de fato, o símbolo do Comando Vermelho. A facção desafia a polícia em diversos estados e estaria envolvida com gente perigosíssima, como milicianos e até o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O rapaz no meio do público teria feito um “C” e um “V” com as mãos, marcando a presença do grupo criminoso naquele evento político. Ciro viu, entendeu, censurou o gesto e mandou que prendessem o espectador. Foi, imediatamente, atalhado pela esposa e por aliados no palanque – onde estava, por sinal, o ex-capitão PM Wagner Sousa, agora político bolsonarista e adepto de discursos críticos a políticas de segurança. A prisão exigida por Ciro Gomes poderia resultar em problemas muito graves.

Em junho de 2025, a Folha de S.Paulo publicou a seguinte informação: “O Comando Vermelho (CV) possui forte atuação e histórico de domínio territorial no bairro Conjunto Ceará, localizado na região da Secretaria Executiva Regional V de Fortaleza. A facção utiliza a área para o controle do tráfico de drogas e atua em articulação com líderes da organização criminosa baseados no Rio de Janeiro”.
Já o site G1 noticiou em abril passado uma operação policial que teria prendido 15 pessoas em Fortaleza. “(A) operação teve início a partir da prisão de um homem apontado como líder do Comando Vermelho, com atuação na capital cearense, capturado em 2025 pelo Departamento de Homicídio. O homem, que não teve a identidade informada, seria suspeito de ordenar assassinatos na região do Conjunto Ceará”.
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É fato: o Comando Vermelho atua no Conjunto Ceará, sim, bairro de Fortaleza onde Ciro Gomes e outros aliados de Jair Bolsonaro resolveram fazer um encontro político.
E também é fato: Ciro pode ter “dado para trás” e até pedido desculpas ao autor do gesto, identificado como símbolo de uma facção, não por humildade, mas por medo. Mas, sabido que é, aproveitou para colocar a culpa no governo. E até no Didi Mocó.
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A propósito, o site Observatório da Segurança Pública traz um texto bastante esclarecedor sobre esse assunto. Confira aqui.


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