O resultado do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCap), realizado em março deste ano, desagradou empresas de energia renovável e uniu dois antigos aliados que mobilizaram forças políticas e econômicas para tentar derrubar o processo: o deputado federal Danilo Forte (PP-CE) e o empresário Mário Araripe. Defensor do setor eólico e de baterias, o parlamentar tem utilizado a Câmara dos Deputado para colocar o leilão em xeque, apesar das reafirmações do Governo de que o processo foi regular.
O certame contratou a maior reserva de energia da história, 19,5GW de potência, para assegurar o fornecimento de energia elétrica e evitar apagões no país, diante do alto risco que se impõe atualmente. A maioria dos contratos do leilão foi para as usinas térmicas a gás.
No caso, a ação do deputado põe em risco o fornecimento de energia elétrica com o objetivo de favorecer as empresas que saíram em desvantagem. A principal delas é a cearense Casa dos Ventos, fundada por Mário Araripe, que acumula uma fortuna de US$ 3 bilhões, segundo a Forbes.
A parceria escancara a relação de interesses entre duas partes que já foram investigadas por diversas irregularidades. Em 2018, por exemplo, Forte recebeu do irmão de Araripe, César Araújo Alencar, R$ 40 mil reais em doação para campanha eleitoral, segundo informações do TSE.
No mesmo ano, Araripe foi multado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) em processo envolvendo imposto de renda. O órgão entendeu que o empresário usou uma empresa-veículo, sem propósito negocial real, para reduzir o imposto devido sobre um ganho de capital de mais de R$ 66 milhões em uma operação de venda de ações. A multa foi fixada em 75%.
Já em 2019, a Casa dos Ventos foi investigada pela Polícia Federal na 4ª fase da operação Descarte, intitulada de “E o Vento Levou”. De acordo com a PF, executivos da Renova Energia teriam procurado Mario Araripe em 2014 para pagar R$ 40 milhões num contrato superfaturado para a aquisição de um projeto de energia eólica na Bahia. O dinheiro teria passado por diversas etapas de lavagem para chegar a destinatários finais definidos pelas empresas Cemig, Andrade Gutierrez e Codemig.
Danilo Forte, por sua vez, foi investigado no âmbito da operação Fumaça, da Polícia Federal, em 2009, quando era presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Ele era suspeito de facilitar a liberação de verbas para obras suspeitas de corrupção. A operação apurou um esquema de desvio de dinheiro, fraudes em licitações e superfaturamento de obras de saneamento.
Desde o início do atual Governo, em 2023, o parlamentar já agendou 19 reuniões de Mario Araripe com ministros e secretários e, em Brasília, esteve presente em todos os encontros. Este é o mesmo número de reuniões que o deputado agendou para prefeitos de 16 municípios cearenses – o estado tem 184 cidades.


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