Do jornalista João Filho, do site The Intercept, na newsltter Caos & Paixão:
A candidatura de Flávio Bolsonaro segue contabilizando os prejuízos causados pela série de reportagens do Intercept. O estrago foi grande. Alguns dos maiores puxa-sacos do bolsonarismo decidiram largar Flávio ferido na estrada. Alguns parajornalistas e influenciadores como Alexandre Garcia, Caio Coppola, Ana Paula do Vôlei e Rodrigo Constantino reconheceram a gravidade das tenebrosas transações entre a família Bolsonaro com o maior bandido do Brasil.
‘’Flávio preferiu insistir na mentira. Faltou com a verdade porque isso era politicamente mais conveniente”, disse Caio Coppola (abaixo), que sempre foi um dos interlocutores mais fanáticos da seita bolsonarista.
Rodrigo Constantino (abaixo), outro fiel recém desgarrado, tem sido um dos mais revoltados. “Flávio Bolsonaro foi visitar o Daniel Vorcaro em sua casa depois da prisão. O banqueiro fraudulento estava usando tornozeleira eletrônica e o Flávio foi lá. (…) Não dá, é tratar o público como idiota. Estou de saco cheio dessa postura amadora e irresponsável do próprio Flávio, dos seus irmãos e desse entorno”.

Nas semanas que antecederam as reportagens, todo esse bonde dos indignados estava engajado em colocar o escândalo Master no colo de Lula. A bomba do Intercept atingiu essa narrativa em cheio, obrigando-os a recuar. Mas é importante lembrar que a tolerância moral dessa gente com Flávio Bolsonaro sempre foi muito grande. Aceitaram as ligações carnais dele com as milícias, as rachadinhas, a fantástica fábrica de chocolate, os 16 imóveis pagos com dinheiro vivo e mais uma cacetada de escândalos. A sua ficha corrida nunca foi uma novidade.
O pudor repentino da turma é passageiro. É uma mera contenção de danos à imagem de suas figuras públicas. Se o cenário mais provável se concretizar — um segundo turno entre Flávio e Lula — essa turma voltará rapidinho para o aconchego bolsonarista. Com Master, com Vorcaro, com tudo.


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