A Coluna do Roberto Maciel (sábado, 27.6): O pastor e uma ideia “dedo-duro” que pode resultar em abusos e agressões

– Parece gracejo, mas é verdade: o deputado-pastor Alcides Fernandes (PL) quer instituir no Ceará uma política de dedurismo no trânsito. “Dedurismo” ou “deduragem” são palavras que designam o ato de alcaguetar os outros – algo até frequente nos anos da ditadura militar. O parlamentar está propondo a criação do que ele batizou como “Programa Estadual de Colaboração Cidadã para Apoio à Fiscalização de Infrações de Trânsito”. E onde é que o Estado entra nisso? Em canto nenhum. A ideia é que as pessoas façam e encaminhem voluntariamente fotos e vídeos à gestão pública “para fins de comunicação e apuração de possíveis infrações de trânsito”. Você leu certo: não são agentes públicos, respaldados por leis e treinados devidamente, que ele quer que tenham essa possibilidade. O que Alcides sugere é que qualquer pessoa, descredenciada, inabilitada e de qualquer idade, fotografe ou grave atos de desrespeito às regras de tráfego nas ruas e nas estradas. O deputado vai se responsabilizar por agressões? Por abusos? Por equívocos? Vai nada. Depois se zanga quando criticam o fraco desempenho legislativo…

Isso é sério, pastor
Observe-se, posto que isso é necessário: agentes de trânsito e policiais participam de capacitações técnicas para fazer o que fazem. São até treinados em defesa pessoal e em manejo de armas. Não é qualquer molecote que ensina depilação, xinga autoridades e faz piadas na Internet que pode substitui-los.

Veja na via
Vias movimentadas de Fortaleza têm ostentado em postes cartazes com um texto simples e direto: “Empréstimo na conta de luz! 7 mil reais te ajudaria hoje?” Logo abaixo aparece um número de telefone. Novidade curiosa, essa: a Enel entrou no ramo das financeiras? Fizemos contato.

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Chocante!
A companhia não mudou de atividade. Continua, mal ou bem, vendendo energia elétrica. Trata-se, na verdade, de operação que acena com dinheiro a ser debitado entre as despesas pelo consumo de energia. Os juros são salgados: a partir de 1,50% ao mês – para se ter ideia, a Selic de maio foi de 1,07%. Ou seja, o cidadão terá de pagar no fim de um ano 19,56% de juros. Ou seja de novo, quem negociar R$ 7 mil desembolsará R$ 8.369,20 para liquidar a dívida após 12 meses.

Exploração em comum
O que têm em comum motoristas de aplicativos, operadores de telemarketing e motoqueiros de entrega? Fácil responder: a precarização do trabalho – ou as condições cada vez mais difíceis para cumprirem jornadas com segurança, ter direitos trabalhistas respeitados, folgas regulares e serem remunerados convenientemente.

Jornalismo e a precarização do trabalho

Sob pressão
Foram os trabalhadores de telemarketing que engrossaram o coro dos descontentes. Representantes da categoria denunciaram na Câmara federal violações trabalhistas e defenderam a aprovação de projetos de lei para regulamentar a profissão. Foi durante audiência na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial. Avalia-se que a precarização alcance 1,5 milhão de operadores no País todo.

Você aposta nisso?
E, enquanto o pessoal pega no pesado e peleja para acabar com a jornada 6×1, deputados que defendem a 7×0, como Nikolas Ferreira (MG) e André Fernandes (CE), ambos do PL, flanam nos Estados Unidos entre estádios da Copa e xingam quem critica a (falta de) ética do comportamento deles. Dizem que torcem pelo Brasil. Você acredita?

Saúde, respeito e responsabilidade
Já chegaram ao Ceará 29.140 doses do imunizante Pneumo 20, que previne doenças como pneumonia e meningite. A vacina compõe o primeiro lote destinado ao Estado.  O Ministério da Saúde deve disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses em todo este ano para o País inteiro. O preço da Pneumo 20 na rede privada supera os R$ 500,00. Nos postos de vacinação é 0800.

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