
O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) tem impulsionado descobertas científicas, ampliado a eficiência em diferentes setores da economia e contribuído para soluções inovadoras na saúde, na educação e na pesquisa. Ao mesmo tempo, a mesma tecnologia que acelera diagnósticos médicos, automatiza tarefas e potencializa a produção de conhecimento também vem sendo utilizada por criminosos para sofisticar fraudes, golpes digitais e crimes cibernéticos, impondo à sociedade o desafio de equilibrar inovação, segurança e responsabilidade no uso dessas ferramentas.
Para o professor Lacier Dias, empresário, especialista em estratégia, tecnologia e transformação digital, doutorando pela Fundação Dom Cabral e fundador e CEO da B4Data, a inteligência artificial já ocupa papel estratégico em áreas que vão da medicina à indústria. “Na saúde, algoritmos auxiliam na análise de exames, na identificação precoce de doenças e no desenvolvimento de novos medicamentos. Na pesquisa científica, a tecnologia permite processar grandes volumes de dados em questão de minutos, acelerando estudos que antes demandavam meses ou até anos de trabalho. No ambiente corporativo, ferramentas de IA têm contribuído para automatizar atividades repetitivas, aumentar a produtividade e liberar profissionais para funções mais analíticas e criativas.”
Os benefícios da tecnologia são inegáveis e tendem a se ampliar nos próximos anos, aponta o professor. “A capacidade de analisar padrões complexos, gerar previsões e apoiar a tomada de decisões tem transformado setores inteiros da economia. Em um cenário de crescente competitividade, organizações que utilizam a inteligência artificial de forma estratégica conseguem otimizar processos, reduzir custos e ampliar sua capacidade de inovação, criando novas oportunidades de crescimento e desenvolvimento”, diz.
Entretanto, segundo o especialista, a democratização dessas ferramentas também abriu espaço para novas modalidades de crimes. “Recursos capazes de gerar textos, imagens, vídeos e áudios altamente realistas passaram a ser utilizados na criação de golpes mais sofisticados, incluindo fraudes financeiras, falsificação de identidade, disseminação de desinformação e ataques de engenharia social. O uso de chamadas ‘deepfakes’, por exemplo, tem aumentado a dificuldade de distinguir conteúdos autênticos de materiais manipulados, ampliando os riscos para empresas, instituições e cidadãos”, exemplifica.
O desafio atual não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada. “Assim como outras inovações que marcaram a história da humanidade, a inteligência artificial possui caráter essencialmente dual: pode ser empregada para promover avanços significativos ou para potencializar práticas ilícitas. Por isso, é preciso combinar investimentos em inovação com políticas de governança, transparência, educação digital e mecanismos de segurança capazes de reduzir vulnerabilidades e ampliar a confiança da sociedade no uso dessas ferramentas.”
Nesse contexto, o debate sobre inteligência artificial deixa de ser apenas tecnológico e passa a envolver questões éticas, jurídicas e sociais. “O futuro da IA dependerá não apenas da velocidade de seu desenvolvimento, mas da capacidade de governos, empresas, pesquisadores e usuários de estabelecer limites, responsabilidades e boas práticas. A mesma tecnologia que hoje contribui para salvar vidas, acelerar pesquisas e transformar o trabalho é também aquela que exige vigilância permanente para que seus benefícios superem os riscos e continuem servindo ao interesse coletivo”, completa Lacier.

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