– Um golpe quase fatal foi desferido pela economia numa retórica política derrotista e agressiva contra o patrimônio público. As 44 empresas estatais federais lucraram R$ 169,4 bilhões no ano passado. Essa dinheirama representou salto de 45,4% em relação a 2024. O desempenho, inquestionavelmente positivo e capaz de mostrar que as finanças vão melhor do que o futebol, elevou para meio trilhão de reais o lucro obtido desde 2023, o que compreende o terceiro mandato do presidente Lula. Foi um feito único – “nunca antes na história deste País”, diria o petista e com razão. A tal “retórica política derrotista e agressiva contra o patrimônio público”, a que nos referimos, vinha sendo peça de resistência de setores políticos desde o traumático período de Fernando Collor, sendo aplicada com mais frequência e rigor nos de Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Agora não serve mais nem para isso. Os ataques sofridos pelas estatais feriram também os que as constituem – os servidores. Há duas questões, ao menos, a se dirimirem nos próximos meses: o governo Lula vai manter a posição a favor das estatais? A temporada eleitoral e os novos números vão arrefecer a ofensiva liberal contra a participação do Estado na economia?
De onde veio
Petrobras, BNDES e Banco do Brasil foram responsáveis por mais de 90% do alto lucro das estatais em 2025. As 44 empresas sob o controle da União responderam por 5% do Produto Interno Bruto e por 6% dos tributos arrecadados no País no ano passado. Nada disso pode ser desprezado nos debates políticos. Nem por um lado nem por outro.
Apoio
Passou na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados projeto de lei que cria a Política Nacional de Promoção da Arte Inclusiva. O texto prevê apoio, incentivo e mais visibilidade para artistas com deficiência. Mais ainda: robustece projetos culturais com acessibilidade para o público.
Sotaque cearense
Antes que apareça alguém por aqui dizendo que é proposta identitária, “coisa de esquerdista”, vale notar que o autor é deputado do Republicanos, partido pertencente à Igreja Universal. A relatoria coube a uma cearense, Erika Kokay, deputada do PT-DF. A propósito, o Ceará tem apenas uma representante na Comissão de Cultura da Câmara: Luizianne Lins (PT).
Rio de História
Passou no plenário da Assembleia do Ceará projeto do deputado Simão Pedro (PSD) que cria o Museu Municipal Riacho do Sangue, na cidade de Solonópole. Foi em Riacho do Sangue, localidade que hoje é o município de Jaguaretama, onde nasceu o médico Bezerra de Menezes (1831-1900), expoente do espiritismo no Brasil. Museu assim tem muita história a contar.
Vá entender
A empresa de saúde MedSênior, que na pandemia foi acusada de promover e aplicar métodos inúteis contra o covid-19, causando a morte de pacientes, está anunciando que desde 2023 investiu R$ 300 milhões em qualificação. Com isso, teria chegado agora a 300 mil usuários.

Outro perfil
Veja, então, como são as coisas: no tempo de Bolsonaro, alinhada ao governo da época, a MedSênior sentava no banco dos réus da CPI do Genocídio no Senado. Agora, na era Lula, avisa que cresceu no mercado e está ganhando mais dinheiro. Durma-se com um barulho desses!
Da grama para o capim
A derrota da Seleção Brasileira para a Norueguesa, domingo, pôs abaixo não só o sonho do hexacampeonato de futebol. Deixou o gramado e invadiu o pasto que alimenta o gado político: diminuiu o peso que o ex-jogador Neymar poderia exercer a favor da candidatura de extrema-direita de Flávio Bolsonaro.

Home office
Mas há quem enxergue um tanto mais longe: Lula, que classificou Neymar como “jogador em home office”, atraindo por isso xingamentos e pragas dos bolsonaristas, acertou mais uma vez.


Fique por dentro do mundo financeiro das notícias e opiniões que rolam no Ceará, Nordeste e Brasil.