Por João Filho, jornalista do The Intercept, na newsletter Caos & Paixão:
Qualquer idiota sabe que o Brasil não tem bala para segurar uma guerra com os EUA. Mas, em meio à escalada das tensões entre os dois países, o ministro da Defesa, José Múcio, achou por bem reforçar essa obviedade.
Perguntado sobre quais ações tomaria caso os EUA invadissem o Brasil, o ministro surpreendeu ao sugerir uma capitulação ampla, geral, irrestrita e desavergonhada:
“Temos que abrir o portão. O Brasil não tem equipamento para enfrentá-lo nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”.
A declaração foi dada enquanto o ministro defendia maiores investimentos em equipamentos e tecnologia para a Defesa. A reivindicação do ministro pode ser justa, mas dizer que irá se render facilmente caso o país seja invadido é o entreguismo na sua mais pura essência.
Justo no momento em que Trump revoga o visto da embaixadora brasileira nos EUA, coopta jornalistas brasileiros e articula para interferir nas eleições brasileiras, o nosso ministro da Defesa decidiu se ajoelhar aos pés do Tio Sam.
Lula ficou incomodado com a declaração, mas essa postura do ministro não deveria causar surpresa. Esse é o mesmo Múcio que atuou nos bastidores para tentar livrar a cara da cúpula das Forças Armadas na tentativa de golpe de 8 de Janeiro.
O fato é que já não é mais possível defender a soberania nacional e manter Múcio na Defesa ao mesmo tempo.
Criando cuidadoras

Ninguém duvida da capacidade de um homem criado por Jair Bolsonaro em proferir barbaridades contra as mulheres, mas, mesmo assim, às vezes a gente se espanta.
Depois de passar meses prometendo mundos e fundos para o eleitorado feminino, inclusive uma vice, Flávio Bolsonaro escolheu um homem que está sendo acusado de estuprar uma menor de idade para compor a chapa.
No evento em que anunciou o deputado Alfredo Gaspar como seu vice, o 01 tentou compensar o mal estar com o eleitorado feminino com a seguinte declaração:
“Muitas vezes, na grande parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim”.
O senador fala com a maior naturalidade do mundo que teve filhas mulheres para que elas possam cuidar dele na velhice. A visão utilitária que Flávio tem da sua prole feminina é reveladora do nível do machismo entranhado nos Bolsonaros. O senador ainda explica por que suas filhas cuidarão dele na velhice:
“porque as mulheres são assim: são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade”.
É tudo tão caricato que até parece uma sátira. O senador quase completou o bingo do machismo com apenas uma frase.
Fica claro qual é o papel que Flávio e seus irmãos acreditam que Michelle Bolsonaro deve cumprir: longe da política e cuidando do pai presidiário.


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