ciro, com “c” minúsculo

Por Roberto Maciel, editor do portal InvestNE:

Há uma tendência irresistível ao candidato ao governo do Ceará ciro Gomes (PSDB) a se diminuir. Isso é ruim – não apenas para ele, mas para a qualidade do debate político que se espera num período tão importante quanto o que se desenrola agora.

ciro, deve-se supor, empreendeu esforços gigantescos e incomuns para figurar entre as mentes criativas na cena pública nacional. Foi deputado estadual e federal, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Economia e da Infraestrutura. Deixou o tucanismo para se alinhar à esquerda, mesmo apresentando-se como “moderado”, e depois voltou a ser do que classifica como “centro”.

É legítimo, então, imaginar que ele jogou no lixo todo um currículo construído para se abraçar com o que há de mais abjeto na política.

Escrevo isso vendo um pequeno vídeo no qual o candidato do PSDB critica o uso de câmaras corporais para que policiais militares tenham acompanhados os movimentos que empregam em ações. E se diz contra o equipamento – equivale, assim, a Tarcísio de Freitas, governador de ares fascistas que submete São Paulo ao bolsonarismo. Atrás, às gargalhadas, aparece o ex-capitão PM Wagner Sousa, que liderou motins no Estado – numa desses episódios, um cangaceiro vestindo máscara atirou duas vezes no peito do senador Cid Gomes (PSB), irmão do pequenino ciro, tentando matá-lo.

ciro chamou Wagner de “chefe de milícia”, afirmando que tinha como provar a acusação. O caso foi para a Justiça mas Wagner, homenageando o atual (até quando?) sócio, retirou a queixa.

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Não é esse o único episódio que torna a história de ciro Gomes um mero borrão. Não existe mais aquele entusiasmado defensor de FHC e do Plano Real, de Lula e dos programas sociais e de Brizola, da educação e do socialismo moreno.

Estar ao lado do bolsonaros, personagens principais e coadjuvantes de si mesmos na trama (tramoia, melhor definindo) intitulada Dark Horse, em relações nada republicanas com milicianos, articuladores do PCC, aplicadores de golpes de estado, manipuladores de emendas secretas e promotores de crimes lesa-pátria o torna mais questionável ainda.

Afirmar que Renan Santos, o franco-atirador que usa xingamentos para esconder a falta de propostas na campanha a presidente, é “interessante” desaba para a auto-desmoralização. Renan, a propósito, dono do partido Missão e do perigoso MBL, movimento de arruaceiros que desde 2013 goza da mais abjeta impunidade, é o elemento que promete “tingir o Brasil de sangue”, garantindo massacres se for eleito para o Planalto.

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ciro Gomes virou uma marionete desengonçada de figuras com o já citado Wagner, Jair Bolsonaro e os filhos, André Fernandes e o pai, Alcides, e, pasme!, o risível Carmelo Neto.

Mais do que as vozes que tem na cabeça, o apego desmedido à ficção e os “inimigos” que só ele vê nas sombras, ciro – aquele que diz que “construiu um rio” – se encolheu ao ponto de ser apenas mais um ser minúsculo num mundo em que os desafios (morais, inclusive) são gigantescos.

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