Por Eliezer Rodrigues, jornalista, presidente da Associação Cearense de Imprensa:
No meu livro “Praça José de Alencar: Tempos e Viventes (2022) reproduzo fac-símile de uma manchete interessante, “Fortaleza, uma pilha de nervos”, do jornal Gazeta de Notícias, datada do dia 14 de outubro de 1961. O curioso é o tom alarmante e beirando as profecias apocalípticas contidas no texto.
A matéria se iniciava assim: “O mundo inteiro está pagando um tributo pesado ao progresso e à civilização. Todas grandes cidades da terra estão transformadas em formigueiros de homens nervosos”… e por aí vai.
Esse alarido semântico era comum no jornalismo de antanho. O parágrafo introdutório retardava a abordagem do assunto principal da reportagem. No caso em tela, a superlotação nos transportes coletivos da Fortaleza de outrora. Naquele tempo dominava nos textos jornalísticos a linguagem batizada como “nariz de cera'”, uma abertura de texto prolixo, cheia de detalhes desnecessários antes de apresentar a notícia real.
Com a introdução do lide na escrita jornalística (como, quem, o quê, quando, onde e por quê), o primeiro parágrafo ficou resumido.
Houve uma mudança na forma de escrever na imprensa brasileira. Antes da introdução do “lead” norte-americano, a partir da década de 1950, os textos produzidos tinham viés literário. As matérias eram narradas com aproches romanceadas.
Daí o apelido jocoso de “nariz de cera” – derrete e não tem sustentação firme… roda, roda em devaneios para entrar na realidade da notícia.
No Ceará, a modernidade na linguagem jornalística, inclusive com a incorporação do lide tem o marco inicial com a criação do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal Ceará do Ceará (UFC), na década de 1960.


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