Ricardo Alcântara – “Ciro Gomes x Ciro Gomes: A autossabotagem compulsiva do candidato”

Por Ricardo Alcântara, publicitário e escritor:

Agredir a Camilo como Ciro fez num debate, lá na terra dele, onde o filho do “seu” Eudoro fez tanto e certamente é querido por muita gente, foi um erro político que escapa à compreensão de um homem inteligente que se deixa dominar por impulsos destrutivos.

Não cabe na linha argumentativa deste artigo discutir o mérito de suas críticas, em fundamento, motivação ou sentido. Seu partido a ele conferiu a condição de candidato para isto mesmo, debater os problemas, identificar suas causas e apontar soluções possíveis. Ao fim, seremos nós, os eleitores, na soberania de nossa vontade e em nossa relativa capacidade de discernimento, que iremos decidir essa parada.

No entanto, em tudo há de se ter senso de medida e percepção de contexto. Como disse o poeta, ali a “questão é de hora e de lugar”: Ciro foi chumbar a imagem de Camilo na terra dele, onde não é nenhuma unanimidade, mas, com toda certeza, sua projeção política de notáveis referências, sobretudo na Educação, é um fator de autoestima no meio de sua gente.

Ciro deveria saber, porque a experiência pessoal lhe deu fartas evidências: em um estado como o Ceará, onde há acentuada concentração de riquezas no centro de poder (Fortaleza, no caso), a projeção política ou cultural de um filho das regiões menos oportunizadas tende a representar uma afirmação de significado não apenas pessoal, mas também como exemplar do valor endógeno de toda sua gente.

No Cariri, fora do segmento minoritário de rejeição consolidada ao antilulismo, mesmo aqueles que têm alguma restrição crítica à conduta política de Camilo Santana (foto abaixo) não reagem bem ao vê-lo, como cacique que já foi curumim na terra, ser atacado daquela maneira em sua própria taba. São como filhos, que corrigimos frequentemente, mas reagimos mal quando a crítica parte dos vizinhos. Humano, demasiado humano para ser ignorado pelos lúcidos.

Não tive acesso a pesquisa para dizer isso. Nem preciso. Como pessoa nascida num estado periférico e valoroso, e com a longeva experiência em lidar com a psicologia de massas em campanhas eleitorais, sei bem que Ciro deveria ter sido mais hábil, como hábil foi seu contendor, Elmano, que não perdeu a oportunidade de explorar bem tal sentimento no debate realizado em Barbalha.

Fica a dica, de nada.

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