Forró é trilha sonora de espetáculo sobre trabalho e decepção amorosa; peça entra em cartaz no Teatro São José, em Fortaleza

A história está presente em muitas comunidades e na vida de muita gente: a boleira Paulinha, numa localidade litorânea do Ceará, resolve fazer o bolo do próprio casamento. Mas descobre uma traição do noivo. A receita desanda. E tudo entra na forma de “São Amores: o musical do forró”, mistura de drama e comédia, atravessada por “clássicos” de grupos como Mastruz com Leite, Calcinha Preta, Aviões do Forró e Forró do Muído.

A peça será encenada de 8 (quinta-feira) a 11 de outubro (domingo), sempre a partir das 19h, no Teatro São José em Fortakeza. “São Amores é uma história que se passa numa cidade do litoral cearense, que eu chamei de ‘Maraíso’”, diz o diretor e roteirista Lucas Duarte.

Há boleiras que acreditam que fazer o próprio bolo de casamento traz má sorte. “E aí, por coincidência, ou consequência, como diz o próprio texto da peça, Paulinha descobre que está sendo traída. Agora, mais detalhes desse enrolo, que começa com um causo amoroso e vira caso de polícia, só você vindo pra descobrir. Vem com a gente conhecer Maraíso. São Amores é um espetáculo pra você se divertir, se emocionar e se reconhecer na própria trama”, sugere Lucas.

Um musical de forró

A ideia de criar um musical, e de forró, começou ainda na infância do diretor e roteirista. Foi quando ele ganhou de presente do avô um CD da banda Fala Mansa. “E eu ia criando historinhas para cada uma daquelas faixas e aquilo era uma sementinha para o Lucas que estudaria teatro musical no futuro”, narra. Com o tempo, o idealizador do espetáculo foi entendendo a dramaturgia das letras de forró e os arcos dramáticos que cada personagem viria a tomar.

O ponto-de-virada aconteceu na adolescência, ao assistir o espetáculo “Prometemos Não Chorar”. “Era um musical com músicas do brega e aquilo me atravessou de uma forma que eu disse para mim: ´preciso trabalhar com isso, preciso fazer algo´. Foi muito inspirador”. Foi daí que nasceu São Amores. Com o tempo, o texto foi recebendo pequenas alterações, ganhando novos contornos entre tateios e um estudo profundo da dramaturgia.

Essa não é a primeira vez que “São Amores” será encenado. A primeira montagem aconteceu na escola de teatro musical The Biz. O roteiro venceu a disputa contra textos licenciados da Broadway e a primeira montagem finalmente aconteceu em 2023. Em seguida, uma produtora gostou tanto que o levou um formato ainda para o palco do Teatro ViaSul.  “Agora, aperfeiçoamos e estamos fazendo uma terceira montagem com uma produção totalmente independente”.

Intensidade no palco e emoção na plateia

O que o público confere nesta nova versão, ao som de músicas marcantes, são romances, conflitos, encontros e desencontros que levam do riso à emoção. “Afinal, são muitos os amores nessa história toda!”, provoca o diretor e roteirista Lucas Duarte deixando um tiquinho de curiosidade sobre o resultado no palco. “O forró das antigas não só me traz uma dramaturgia muito intensa, também me traz memórias, me evoca imagens e trabalha com esse lugar da identidade, do se reconhecer”.

“Se fosse para definir um lugar para São Amores, eu diria que é o aconchego. Ele me proporciona esse lugar de afeto, de afago, e é assim como público tem nos recebido”, caminha para o final. “Então, deixo esse convite, mais que especial, para você vir conhecer com a gente ´Maraíso´ (a cidade fictícia onde se passa a peça) e eu te contar o que acontece com uma boleira que descobre que está sendo traída às vésperas do casamento”, arremata numa nota só.

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