A campanha de extrema-direita de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter efetuado gastos de R$ 8 milhões com impulsionamento de conteúdos entre 24 e 30 de setembro. Naquele período, o candidato enfrentou uma crise nas redes sociais na Internet envolvendo Nossa Senhora Aparecida e passou a divulgar publicações para tentar rebater a informação de que planeja tomar da santa católica, mãe de Jesus, o título de Padroeira do Brasil.
O dinheiro usado em favor do direitista se relaciona do Fundo Partidário e às doações que as campanhas precisam, por lei, explicar à Justiça Eleitoral.
As informações são do site Revista Fórum – confira mais abaixo:
Até este dia, o PL havia investido R$ 1 milhão em impulsionamento de conteúdo: R$ 600 mil no dia 3 de setembro, R$ 300 mil no dia 8 de setembro e R$ 100 mil no dia 9 de setembro.
No mesmo dia da publicação de Tebet, em 24 de setembro, Flávio Bolsonaro colocou R$ 1 milhão para impulsionar as publicações – R$ 800 mil diretamente na Meta, de Mark Zuckerberg, que administra Facebook e Instagram; e R$ 200 mil via Joyo Tecnologia Brasil, empresa brasileira ligada ao Kwai.
A reação de Flávio Bolsonaro diretamente em seus perfis da Meta começou às 13h35 do dia seguinte, 25 de setembro, quando o candidato publicou um vídeo dizendo que “jamais tiraria Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil”. Neste dia, segundo a plataforma hubPolítico, há R$ 21 mil gastos pelo senador em impulsionamento nas redes.
Censura e levante nas redes
A partir de 25 de agosto, com a reação de Flávio Bolsonaro e a censura a Tabet, a polêmica explodiu.
Levantamento do Instituto Democracia em Xeque contabilizou 2,4 milhões de menções ao episódio nas redes entre 24 e 29 de setembro, além de 24,7 milhões de interações. O maior pico ocorreu no dia 25, às 19h, com 46,3 mil menções em uma hora.
A publicação de Flávio Bolsonaro no mesmo dia marcou o “apito de cachorro” para reação do ecossistema bolsonarista nas redes. Enquanto André Mendonça e Luix Fux buscam censurar as publicações, contestando decisão de Flávio Dino, nas cortes superiores, a campanha de Flávio Bolsonaro injetava milhões para impulsionar conteúdos nas redes.
No dia 28 de setembro, a campanha fez um novo aporte, de R$ 1,7 milhão – R$ 1,35 milhão diretamente na Meta e R$ 350 mil na Joyo. No dia seguinte, mais R$ 1 milhão é pago para a Meta.
O desespero na campanha era evidente e retratado nas pesquisas de intenção de votos. No dia 28, a BTG/Nexus mostrava que Lula havia subido 3 pontos entre os católicos, chegando a 47%. Entre evangélicos, o salto foi maior, de 5 pontos, com o presidente passando de 26% para 31%. Já Flávio Bolsonaro fez o movimento contrário: oscilou um para menos entre católicos, marcando 39% agora. E caiu 5 pontos entre evangélicos, passando de 62% para 57%.
No mesmo dia, Flávio Bolsonaro ampliou a crise ao acusar a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de estar por trás do que classificou como “fake news” sobre Nossa Senhora. A reação da igreja Católica foi imediata, por meio de nota, que fez o candidato recuar dizendo que “minha briga é contra a mentira, nunca contra a Igreja”.
Julgamento no TSE e aporte milionário
No dia 30, quando Kássio Nunes Marques levou a censura a Nossa Senhora a julgamento virtual no plenário do TSE, a campanha de Flávio Bolsonaro fez o maior aporte: R$ 4,3 milhões.
Desse total, R$ 4 milhões foram pagos diretamente à Meta e R$ 300 mil ao Joyo, responsável pelo Kwai.
No total, Flávio gastou R$ 8 milhões até André Mendonça recuar em parte da censura, permitindo que a publicação de Antônio Tabet voltasse ao ar em um aparte de seu voto no plenário virtual.


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