Por Roberto Maciel, jornalista:
Aos 45 minutos do segundo tempo da disputa eleitoral, o UOL, site de notícias do grupo que manda no jornal Folha de S.Paulo, deu um jeito depermitir à candidatura do extremista Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República respirar um pouco mais, mesmo que por aparelhos: “As promessas feitas nos últimos dias pelo senador Flávio Bolsonaro (…) são contraditórias com o ajuste fiscal esperado dele. Mas o mercado entende que essa incoerência faz parte da campanha eleitoral e dá ao candidato o benefício da dúvida, na avaliação de executivos de grandes bancos ouvidos pelo UOL”.
Isso está escrito aqui.
Perceberam? O “mercado” (modo fofo de se referir ao áspero mercado financeiro e de colocar no mesmo balaio toda e qualquer esfera da economia), a mais fria e objetiva arrumação das sociedades, que visa unicamente ao lucro e à capacidade de se dar bem até nas mais adversas situações, dá ao parlamentar “o benefício da dúvida”.
Mas o noticiário é, diferentemente do mercado que o UOL conhece, agudo com Flávio Bolsonaro.
Já se publicou que o senador se relaciona com milicianos – perigosíssimos elementos do submundo do crime – e até já condecorou um, Adriano da Nóbrega, cujas mãe e esposa rachavam com ele salários que ganhavam no gabinete da Assembleia do Rio de Janeiro. E que esteve envolvido com falsários e traficantes de vacinas contra a covid-19. Que participou de orgias sexuais com prostitutas. Que pegava dinheiro com um mafioso, a quem chamava de “irmãozão” – Daniel Vorcaro, sujeito do “mercado”. Que advogou para um PM assassino de uma criança de cinco anos de idade, Ana Clara (na foto abaixo), e manobrou para impedir que o cliente fosse a julgamento. Que compra imóveis com dinheiro vivo. Que cometia a infame rachadinha e operava com uma empresa de fachada, uma loja de chocolates.

Por fim, Flávio Bolsonaro é aquele que chegou para o governo dos Estados Unidos e se ofereceu a entregar a Donald Trump preciosíssimos bens naturais que o Brasil tem e estrategicamente deve tratar.
Esse é Flávio Bolsonaro, o personagem a quem, segundo o site UOL, “o mercado dá o benefício da dúvida”.
Parabéns ao mercado, aos benefícios que distribui e à dúvida da qual diz que padece.
Para finalizar, vale lembrar que a Folha de S.Paulo e, por consequência, o UOL, têm muitos e enormes interesses no tal mercado. Essas empresas e um banco digital, o PagBank (antes, PagSeguro), integram a mesma corporação capitalista. São CNPJs diferentes, mas a família que os controla é uma só: os Frias – a História conta que a Folha de S.Paulo apoiava a ditadura militar e emprestava carros de distribuição de jornais para que militares praticassem sequestros e torturas.
Que tal?




