Por Roberto Maciel, jornalista:
Foi a juventude o motor da reeleição do presidente Lula.
Uma rapaziada animada e de todas as idades, com propósitos justos e muita vontade no coração, assegurou a vitória ao petista, um jovem no esplendor dos 80 anos e que terça-feira próxima festeja 81 anos de idade. Essa rapaziada tomou ruas, andou, cantou e fez valer falas, aplausos e vaias, claro, para os adversários – para o fascismo, digamos claramente.
Isso faz de Lula não um mero devedor de votos, mas um líder com a obrigação moral de preservar a saúde, a integridade, a segurança e os direitos dos jovens. É dele a responsabilidade, pela quarta vez, de erguer um povo e de fazê-lo respirar os ares da liberdade. E de assegurar a todos a possibilidade de enxergar e construir bons horizontes e de usufruir do futuro.
A juventude, que tomou nas mãos a luta contra a ditadura de fascistas psicopatas que roubou o Brasil nos anos 1960, é agora – renovadas ideias e personagens, claro – quem entrega novamente à nação a esperança.
Entre os muitos jovens, uma em especial é misto de coragem, de amor e de força. Chama-se Cristiane Gomes da Silva. Tem 21 anos de idade e só a juventude foi o que restou a ela. Cris perdeu a filha faz cinco anos, no Rio de Janeiro – isso não se descreve. Ana Clara, que tinha somente cinco anos de idade, levou um tiro de fuzil disparado por um policial militar e morreu. A dor causada por essa violência sem tamanho, no entanto, não foi o único sofrimento.
Cris teve de conviver com um advogado e senador da República defendendo o assassino. Beneficiado pelo poder, o PM Bruno Dias Delaroli tem escapado de ser julgado, graças a manobras e articulações do senador Flávio Bolsonaro. Viu um representante que conquistou a confiança popular acobertando um assassino perigoso e, isso não bastando, ameaçando a sociedade com o risco de se tornar presidente da República.
Agradeçamos à Cris, então, que transformou a dor em luta. E fez da injustiça um modo de denunciar os poderosos e de erguer a justiça.

Não se deve, é óbvio, deixar por menos o empenho e o entusiasmo de pessoas como dona Sara, a quem encontrei hoje no comecinho da quente tarde em Fortaleza. Votamos na mesma urna. Eu, com a minha juventude de 64 anos, e ela com os 88 saudáveis anos que já viveu.
Pude oferecer a ela o adesivo que carregava no lado esquerdo do peito. Ela sorriu e me ensinou:
- Não estou aqui só por um candidato, mas pela Democracia inteirinha.
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Como escreveu e cantou o nosso sempre jovem e indispensável Gonzaguinha:
Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão
Eu vou à luta é com essa juventude
Que não corre da raia a troco de nada
Eu vou no bloco é dessa mocidade
Que não tá na saudade e constrói a manhã desejada





