Por Roberto Maciel, jornalista:
Se havia alguém esperançoso, é bom que tire o dark horse da chuva: Flávio Bolsonaro assinou um registro histórico ao fugir da polícia brasileira. Nunca antes neste País alguém assumiu de forma tão absoluta, inquestionável, indubitável e convincente atos criminosos que lhe são atribuídos. Senador da República, filho de ex-presidente da República, ex-candidato à Presidência da nação, Flávio escreveu com letras maiúsculas e gigantescas na biografia desse personagem chamado Brasil: “Sou culpado, e daí? Fod*-se!” Uma esquadrilha da fumaça não faria trabalho tão primorosamente visível.
Ainda apegado à mentira-mater, Flávio teria dito que vai comandar a resistência contra o governo democraticamente eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E que fará isso dos Estados Unidos.
É mais um papo-furado.
Assim como o irmão, Eduardo, Flávio vai mesmo é usufruir do dinheiro que pegou com o mafioso Daniel Vorcaro com o pretexto de bancar um filme sobre o pai. Enganou o criminoso que dava golpes no centro financeiro do País, a avenida Faria Lima (SP), e em velhinhos aposentados e pensionistas. Enganaria depois 59.826.041 de eleitores que há três dias votaram nele para presidente.
Flávio vai passear na Disney e se abraçar com o Pateta vai ver rodeios, futebol americano e basquete, vai brincar no Universal (não a igreja evangélica que o apoia, mas o parque de diversões da produtora de cinema), vai comer o churrasco horroroso que só gringo faz, vai puxar o saco flácido de Donald Trump. Vai, de longe, frescar com a cara dos bobões que votaram nele e com a de Vorcaro, que deu a ele dinheiro e que agora curte a generosa hospedagem pública no presídio da Papuda.

Talvez essas não sejam as únicas avaliações que se possa agora projetar sobre o assunto. Certamente, a mais triste e desanimadora é a conclusão de que ainda há muita gente acreditando na conversa fiada do ameaçador Flávio Bolsonaro e de outros. Mas admitamos: ameaçar é típico mesmo de miliciano.
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Para concluir, socorro-me do essencial Beto Guedes cantando “Vevecos, Panelas e Canelas”, composta pelos não menos essenciais Milton Nascimento e Fernando Brant – parece ter sido escrita para os dias de hoje, em que o perigoso, medroso e culpado aprendiz de ditador se mandou para bem longe da gente:
Hoje tô de bem com a vida, tô no meu caminho
Respiro com mais energia o ar do meu país
Eu invento coisas e não paro de sonhar
Sonhar já é alguma coisa mais que não sonhar
Para quem não me conhece eu sou brasileiro
Um povo que ainda guarda a marca interior
Para quem não me conhece, eu sou assim mesmo
De um povo que ainda olha com pudor
Que ainda vive com pudor




