
Por Eliézer Rodrigues, jornalista, presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI):
Tem manhãs que confiro, de soslaio, as notícias do dia graças a ação de João de Assis, gazeteiro há 30 anos. Atualmente, ele mostra e vende jornais na esquina das avenidas Pe. Antônio Tomás e Senador Virgílio Távora. João, talvez seja, em Fortaleza, o último representante de uma profissão em extinção. A tragédia é dupla, pois a atividade vem desaparecendo no mesmo ritmo desmilinguido e acelerado do produto apresentado por ele: o jornal impresso.

E quando se fala em gazeteiro, no Ceará, é obrigatório aplicar a metáfora poética “espichar o olhar histórico” para ressaltar atuação da centenária Associação Cearense de Imprensa, a nossa ACI. Teve tempo, década de 1940 no caso, quando a instituição funcionava em prédio próprio – Rua Senador Pompeu, 1098 -, era disponibilizado albergue para os vendedores de jornais. No espaço físico do prédio, “a sede administrativa da ACI funcionava em cima e o albergue embaixo, com sala de aula, restaurante e dormitório dos gazeteiros”, relembrar a jornalista Adísia Sá, no livro Associação Cearense de Imprensa 85 Anos na pauta do Ceará, de autoria de Angela Barros Leal.
A preocupação com o bem-estar dos gazeteiros foi sinalizada já à época da primeira diretoria da entidade (1925-1926), sob a presidência de César Magalhães.
Porém, não há registro oficial da data de extinção do albergue.




