A Coluna do Roberto Maciel (quinta, 3.9): A quem, além da extrema-direita, interessa a crise? O que o cidadão ganha com a corrosão da Justiça?

  • Coube ao “terrivelmente evangélico” André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) indicado por Jair Bolsonaro, ao qual também serviu na gestão desastrosa, a missão de espocar uma bomba institucional. Acusou um colega de irregularidades, sem dizer que o estava acusando. André Mendonça não escolheu qualquer um, mas aquele a quem os bolsonaristas xingam de carrasco: Alexandre de Moraes. Foi “Xandão” quem sentenciou Jair Boolsonaro pelo golpe de estado de 8 de janeiro de 2023 – 27 anos e três meses são a sentença em curso. É “Xandão” quem o mantém preso e com tornozeleira eletrônica. Daí, numa lógica enviesada, está sendo atropelado pelo trator do radicalismo e da cumplicidade de setores vários. As questões são: terá sido a bomba institucional espocada por André Mendonça uma bomba de fumaça? É possível que a manobra tenha tido a ver com a decolagem no Senado das análises do fim da jornada 6×1 – pauta francamente favorável ao presidente Lula? Também poderia se relacionar ao depoimento dado na semana passada por Daniel Vorcaro à Polícia Federal? Outra análise aponta para o interesse de realçar uma aliança entre Lula e Alexandre, mesmo sabendo-se que o magistrado chegou ao STF pelas mãos de Michel Temer (MDB), vice-presidente que agiu pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT). Há uma crise, não há dúvidas. Fala-se no Congresso, sobretudo entre oposicionistas, no impedimento de Alexandre de Moraes e na suspensão da análise de pautas de interesse do governo Lula. É aí que pode estar o interesse inconfessado. Resta saber: o País tem de pagar por isso? O trabalhador vai pagar a conta do que fez André Mendonça ao tratorar as regras básicas do ST

 

Falou sozinho?
Relevante: disse a Imprensa que a Polícia Federal expôs 52 conversas de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes. Em nenhuma delas aparece resposta do ministro. Um exemplo é esse: “2ª tenho que estar fora?”, teria perguntado o ex-banqueiro mafioso sobre fugir do País. Não consta conselho ou resposta de Alexandre. A PF também não apresentou imagens de encontros, inclusive em locais públicos, que ambos teria tido. Que raios de investigação é essa?

Ligue os pontos
Ontem surgiram revelações de que André Mendonça se reuniu com Daniel Vorcaro e que, fora das agendas institucionais, recebeu pedido e conselho de advogado próximo ao dono do banco Master. E é também inescapável a lembrança: Vorcaro deu R$ 134 milhões para o filme que tem Jair Bolsonaro como figura central – e para o qual foi o próprio senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, quem pediu o dinheiro.

Micro atento ao macro
O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte tem agenda amanhã em Fortaleza. Paulo Henrique Pereira (foto abaixo) participa de iniciativa da Associação dos Jovens Empresários. Vem falar de “Empreendedorismo, Ambiente de Negócios e Políticas Públicas para o Fortalecimento das Micro e Pequenas Empresas”. O diretor técnico do Sebrae-CE, Alci Porto, é outro nome importante no evento.

Paulo Henrique Pereira (@paulohpereira_) • Instagram photos and videos

Olhares
O AJE Talks – Encontro Empresarial terá o temário focado em cenários, Reforma Tributária e inovação para os negócios. Será no auditório do Sebrae (Av. Monsenhor Tabosa, 777, Praia de Iracema). Começa às 9h.

Sentiram?
Sobre o fato de ter sido classificado como “quinta-coluna” pelo governador Elmano de Freitas (PT), por ter se afastado das pautas progressistas e abraçado a extrema-direita e o bolsonarismo, Ciro Gomes (PSDB) e o entorno dele optaram pelo mais constrangedor silêncio. Isso pode ser uma solução política ruim. A Coluna tratou do assunto na última terça-feira.

Tem troco
É possível que a análise de Elmano – que, embora rigorosa, está longe de ser irreal ou excessiva – seja respondida por Ciro Gomes nos programas eleitorais desta semana, mesmo que essa hipótese não tenha sido admitida por assessores do comitê com quem a Coluna conversou: “Isso quem vai decidir são o Ciro e o comando da campanha”.

O que diz o silêncio? |

No lado oposto
A grande dúvida, no entanto, é saber de que forma Ciro dará o troco – se é que vai dar. No fim das contas, os fatos e a biografia do tucano sustentam o que Elmano de Freitas falou: o adversário era progressista mas debandou, numa guinada de 180 graus, para o lado direito do fazer político. De todo modo, contestar pode não dar certo e silenciar há de ser uma confissão.

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