- A notícia da morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, 22 anos, em Fortaleza, conduz a outro episódio estarrecedor: um deputado federal eleito pelos cearenses xingando a lei que protege mulheres da violência. Isabelle morreu em circunstâncias obscuras no condomínio do namorado, na Aldeota. O sujeito da outra cena é André Fernandes, youtuber bolsonarista – “rapaz muito talentoso”, segundo um dependente político dele, Ciro Gomes (PSDB). Reativo a direitos femininos, André soltou há três anos essa ofensa à vida nas redes sociais: “Feminicídio? Dane-se!” Barreiras legais para conter a brutal prevalência de homens violentos sobre mulheres são um incômodo que, na avaliação tacanha e machista, ameaçam o poder dos homens e devem ser extintos. Políticos e políticas que se manifestaram na Internet por justiça, mais segurança e por mais instrumentos legais foram repelidos por autênticas forças reacionárias, furiosas e toxicamente misóginas. Todos foram, sem exceção, acusados de “oportunismo eleitoral”. Muitos recuaram – e erram enormemente por isso. A morte de Isabelle (foto acima) precisa ser tratada politicamente. Só aí é que se poderá ter algum encaminhamento para esse caso específico e outros que ocorreram ou outros que poderão vir. Não foi um episódio fortuito, perdido entre ocorrências. O caso de Isabelle é a repetição de muitos que matam a esperança e destroem famílias inteiras.
É preciso estar atento e forte
A política não tem o direito de se amofinar, de tremer diante de milícias misóginas. Há quem acredite que Isabelle foi assassinada e isso tem de ser esclarecido de forma absoluta. Por que a família só foi avisada mais de 24 horas após o óbito? Onde está o namorado? Essas são as questões principais, mas não são as únicas.
Contracorrente
A oposição a uma investigação séria e sem rebarbas é também um contraponto à imposição da justiça. Não desejar apuração rigorosa dos fatos é o mesmo que repetir o agressivo e debochado mantra da impunidade: “Feminicídio? Dane-se!”
Perdidos e mal-pagos
Se a política se omitir, se os políticos se amofinarem e se deixarem intimidar pela censura na Internet, pelo cancelamento e pelo mesquinho medo de perder votos, a inteligência, o bom caráter e a humanidade estarão perdidos. Irremediavelmente.
Já chamaram o Ecad?
Pouquinho antes de sair da Assembleia para virar prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues deixou tramitando no legislativo uma proposta de sonoridade nordestina. Sugeriu ele que a composição “Súplica Cearense” fosse declarada “hino da música popular cearense” – seja lá o que isso signifique.
Olha a lei!
Oscar requereu que “a música ‘Súplica Cearense’, de Luiz Gonzaga” tivesse status de hino no Estado. Só que a composição passa longe do Rei do Baião. A autoria é de Waldeck Artur de Macedo (“Gordurinha”) e Manoel Ávila Peixoto (“Nelinho”). O genial e indispensável Gonzaga foi o intérprete da primeira versão da música. Direito autoral é bom e conserva a cultura.

The Oscar goes to…
Embora seja um clássico, “Súplica Cearense” tem versos de verdadeira autodepreciação. Como o que classifica o personagem da canção como “pobre coitado”. E o que atribui a ele a incompetência de fazer uma mera oração. E, por fim, o que chama de “inferno” aquilo “que sempre queimou o meu Ceará”. E o Dnocs, onde fica nisso?
Jr. Baiano perde feio
Tramita na Câmara projeto que cria protocolo nacional para o atendimento da população LGBTQIA+ no SUS. O objetivo é padronizar fluxos de atendimento, incluindo a transferência entre atenção primária, serviços especializados e unidades de referência. Pedreira é a presença nas comissões de parlamentares agressivos contra o público LGBTQIA+. Os bolsominions cearenses Priscila Costa e Jaziel Pereira, da Comissão de Saúde, estão por lá. É tipo uma zaga.


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