Por Ana Márcia Diógenes, jornalista, escritora e professora:
Nos encontramos na portaria do condomínio em torno do mesmo objetivo, a chave da academia do prédio onde moramos. Pegamos o elevador juntas: eu, ela e a filha dela, de sete anos, empurrando o carrinho com a irmã de quatro meses. Nos dividimos na pequena academia. Ela, na máquina de exercícios e, eu, na esteira.
A bebê estava encantada com os brinquedos coloridos no carrinho. Tranquila, chorou em raros momentos. Algumas vezes a mãe, calma, deixava os pesos de lado ou saía da máquina, cantava e conversava com ela; noutras pedia ajuda da filha mais velha.
Foi bonito observar o jeito cuidadoso e afetuoso dela com a irmã. Mãe e primogênita se alternaram com a bebê até que o pai chegou, levou as duas filhas e minha vizinha pode terminar um treino rápido, de apenas 20 minutos. Este “apenas”, quando se refere a tempo para si, vale muito na vida, principalmente de uma mulher. Ainda mais quando desempenha, entre as várias funções, a de cuidar. Pelo que entendi, a babá não tinha ido naquele dia.
Para não deixar de se cuidar, de estar bem, minha companheira de academia desenvolveu estratégias. Teve rede de apoio e seguiu.
Na esteira, em meio a este momento belo e necessário de autocuidado, eu me concentrava em manter uma velocidade que me permitisse conversar, por celular, com a cuidadora da mamãe. Precisava saber sobre remédios e alimentos que eu deveria levar no mesmo dia. Fiquei “apenas” meia hora na esteira.
Ah, mas como este tempo faz bem… Nós mulheres, de todas as idades, precisamos seguir criando e recriando um espaço-tempo, a todo custo, que nos permita ser cuidadoras, também, de nós mesmas.
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Ana Márcia Diógenes é graduada em Comunicação Social (UFC), especialista em Responsabilidade Social e em Psicologia Positiva e mestra em Planejamento e Políticas Públicas. É professora de Jornalismo (pós-graduação), escritora e consultora em comunicação e direitos para a infância e juventude.


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