Por Ana Márcia Diógenes, jornalista, escritora e professora:
Receber o diagnóstico de que um familiar se tornou paciente paliativo é um momento muito doloroso. Uma associação de imagens que me vem à mente é de álbuns fotográficos que, mesmo bem guardados, amarelam de uma hora para outra.
Ou de ponteiros do tempo que se apressam como jogos vorazes, sem nos dar chance de refletir, e encurralam todos em decisões difíceis a serem tomadas.
Novas orientações, medicamentos, às vezes sondas, equipos, tubos, especialistas, exames. A vida entra em home care. A casa do paciente é um semi-hospital, espaço de cuidados específicos. Mas, não só o paciente passa a ter novo ritmo.
Os que estão no dia a dia mesmo, entram num cotidiano em que intercorrências se revezam sem obedecer a plantões.
A vida passa a ser percebida sob outros ângulos. A trajetória de cada um, as falas, os acontecidos e os desacontecidos ganham uma linguagem especial, a do afeto.
Não é à toa que a palavra “paliativo” vem do latim pallium. Esta era a denominação de um manto especial, usado para proteger contra tempestades.
Ter um familiar em cuidados paliativos é tomar para si o desejo de ser manto, de segurar as tempestades do corpo e da alma de quem se ama.
Muitas vezes, é nas tempestades que aprendemos que quanto mais somos manto, melhor conhecemos o que vale a pena na vida.
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Ana Márcia Diógenes é graduada em Comunicação Social (UFC), especialista em Responsabilidade Social e em Psicologia Positiva e mestra em Planejamento e Políticas Públicas. É professora de Jornalismo (pós-graduação), escritora e consultora em comunicação e direitos para a infância e juventude.


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