Por Tuty Osório, jornalista e escritora:
Que tal caminhadas na areia fofa, na mata trilhada? Mergulhos no mar, imersões na cachoeira. Respirar o sal ou o verde, ou ambos em praias de pinhais, manguezais, restingas. Água gelada do rio, água quente das fontes termais. Águas neutras do litoral do nordeste, do Índico da África Austral. Só considerando a natureza já dá para ser feliz. Transformar o consumo num prazer controlado, num pragmatismo útil ao bem estar – se quisermos agregar coisas ao estado primevo da existência.
Quantas loucuras acontecem pela obsessão da saúde perfeita, do corpo escultural, do rosto sem rugas, da magreza a qualquer custo? Até a espiritualidade acaba se convertendo em modismos, moralismos, julgamentos, punições, aquilo que hoje chamam de cancelamentos. É patético, pateta mesmo, bizarro, bisonho como dizia minha filha mais velha, quando criança. Correndo atrás de uma eternidade impossível, a efemeridade é que dá o tom, contraditoriamente.
Médicos que quase nada sabem, remédios impingidos, a era é de dúvidas, medo, insegurança. A doença enriquece empresários espertos, ou a ideia dela. Desde bebês, os humanos lotam as emergências por dificuldades respiratórias preveníveis com saneamento básico, controle de secas e de enchentes. Um vírus escapou e submeteu o mundo, trancafiou quem tinha esse privilégio, matou sem discriminação, embora os pobres tenham sucumbido mais. Em mais quantidade e com maior padecimento.
Pois eu vos convido a viver este dia. Com as possibilidades, as impossibilidades. Com a lucidez, a insensatez que cabe aos que se acreditam prudentes. Romper, radicalizar, ousar vencer pelas glórias do despojamento, em lugar da empáfia da ostentação. Vamos dar as mãos e ser coletivo. Já está provado que individualmente está cada qual perdido em seu cada um. Escutar o assovio anarquista embalando as corridas – não de fuga, mas de alcance.
Amar como Deus, o de Spinoza, o de todos seja qual for o credo que repetem com o semblante contrito.
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Tuty Osório é jornalista, especialista em pesquisa qualitativa e escritora. São de sua lavra QUANDO FEVEREIRO CHEGOU (contos de 2022);
SÔNIA VALÉRIA, A CABULOSA (quadrinhos com desenhos de Manu Coelho de 2023) e MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE MARIA AGUDA, dez crônicas, um conto e um ponto (crônicas e contos, também de 2023).
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SÔNIA VALÉRIA, A CABULOSA
QUANDO FEVEREIRO CHEGOU
MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE MARIA AGUDA
O livro AS CRÔNICAS DA TUTY também está disponível em edição impressa, com publicadas, inéditas, textos críticos e haicais.


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