A extrema-direita odeia mulheres e não cansa de repetir isso

Por Roberto Maciel, jornalista:

Bolsonaristas, assim como os demais figurantes das hidrofóbicas e patológicas cadeias extremistas, odeiam mulheres. Acham, já fazendo concessão ao que chamam de “espécie”, que elas são destinadas ao lar, que foram “inventadas pelo demônio” para serem cuidadoras de homens, que resultam de fraquejadas e que devem estar sempre a serviço do mundo masculino. Acusam-nas de coagirem a macheza, de eliminarem o vigor dos parceiros, de os seduzirem com encantos ruinosos e pecaminosos. Mas dizem, mesmo sem pudor nenhum, que até admitem que algumas mulheres “podem ser inteligentes”.

Uns, mais coitados do que outros, espalham que nas famílias as mulheres são “o corpo”, enquanto cabe aos homens ser “a cabeça”. O corpo serve para trabalhar e procriar, mas a cabeça se presta à nobre tarefa de pensar e determinar destinos. Recorrem, assim, a leituras deformadas da Bíblia – é sempre desse jeito! – para justificar o preconceito que cevam desde sempre.

É evidente que esse comportamento degenerado induz ao crescimento os crimes contra mulheres e a exclusão delas das decisões políticas e administrativas. As estatísticas confirmam essa tragédia.

Flávio Bolsonaro passou meses espalhando a ideia de que privilegiaria as mulheres dando a uma delas a posição de vice na chapa à Presidência da República. Na política, vices costumam ser coadjuvantes, escadas, modos de contemplar um ou outro segmento. Falou-se muito da senadora Teresa Cristina (PP-MS, abaixo), violenta e retrógrada ruralista. Cogitou-se até, com autêntico complexo de inferioridade, que a deputada federal cearense Priscila Costa (PL), direitista de terceiro escalão, seria a escolhida. Nos anos que passou como vereadora em Fortaleza, a evangélica Priscila só chegou ao noticiário porque propôs a cidadania fortalezense para a “ídola” Michelle Bolsonaro.

Tereza Cristina indica aceitar ser vice de Flávio Bolsonaro, mas federação União-PP resiste – CartaCapital

Mas Flávio, como sempre, fez questão de se contradizer. Colocou um nordestino de expressão muito pálida na cena nacional como companheiro de cela – digo, de chapa. Definiu Alfredo Gaspar (PL-AL), que se preparava para tentar o Senado e já acumulava maioria de intenções de votos entre os alagoanos. O personagem é um fantasma político, sim, mas está longe de ser um “fantasminha camarada”.

O senador que homenageou bandidos escolheu alguém à altura do que é. Para acompanhá-lo – ele, que amontoa na folha corrida relações com milicianos como Adriano da Nóbrega e Fabrício Queiroz e o banqueiro vigarista Daniel Vorcaro, tentativa de grilar praias inteiras, apropriação de uma mansão pertencente a um jogador de futebol e muitos casos de “rachadinhas” -, encontrou um acusado de estuprar uma menina de 13 anos de idade e de desviar emendas parlamentares. Um feito e tanto!

Atas do PL deixam brecha para Gaspar ser candidato ao Senado em caso de mudança de vice de Flávio - Estadão

Além de realçar o ódio às mulheres, realçou o ódio aos nordestinos que impregna o extremismo de direita. Ungiu um nordestino mal-afamado ao topo dos debates. Transformou mais uma vez a região em motivo de piada e terror – coisa que só encontra paralelo na época em que Lampião dava cartas no sertão inamistoso. Desprezou uma possibilidade, mesmo difícil, de diversificar a chapa com pitadas de certa qualidade.

O odor de Flávio Bolsonaro é igual ao do pai. Ambos são feitos da mesma substância. Jair o escolheu e ele, para não ficar atrás, escolheu o pior.

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