A terra arrasada dos bolsonaros é, assim como traição, declaração de ódio ao Brasil: tarifaço de Trump pode afetar até quem nunca exportou

Principais produtos de exportação e importação de 2022 - Grupo Lachmann

Na última semana, os Estados Unidos confirmaram a aplicação de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, medida que, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), pode atingir 35,9% das exportações nacionais. Mas os efeitos do chamado “tarifaço” tendem a ir muito além das empresas que vendem diretamente para o mercado americano.

Para especialistas, mudanças bruscas no cenário internacional costumam expor fragilidades que já existiam dentro das organizações, especialmente aquelas excessivamente concentradas em poucos clientes, fornecedores ou fontes de faturamento.

“Quando uma mudança externa provoca um impacto muito maior do que o esperado, normalmente o problema não começou naquele momento. O que acontece é que a empresa descobre o quanto depende de um cliente, de um fornecedor, de um mercado ou de uma única fonte de receita. A crise não cria essa vulnerabilidade; ela apenas a revela”, afirma Dema Oliveira, CEO da Goshen Land.

Embora o impacto inicial recaia sobre exportadores, os reflexos tendem a se espalhar por toda a cadeia produtiva. Uma indústria que depende de componentes importados, por exemplo, pode rever compras, investimentos ou produção, afetando fornecedores que sequer possuem relação direta com o comércio exterior.

Para Oliveira, o momento exige uma revisão de riscos que muitas empresas deixam em segundo plano. Antes de pensar em estratégias de proteção, o empresário precisa identificar onde estão os principais pontos de vulnerabilidade do negócio e qual o grau de dependência da operação em relação a clientes, fornecedores e fontes de receita.

“O primeiro passo é entender o que aconteceria se um dos principais clientes deixasse de comprar amanhã ou se um fornecedor estratégico interrompesse suas atividades. Muitas empresas nunca fizeram esse exercício”, destaca.

A partir desse diagnóstico, a recomendação é diversificar riscos. Isso passa pela construção de alternativas de fornecimento, mas também pela redução da concentração da carteira de clientes e buscar novas frentes de receita. Na prática, organizações podem começar identificando quais fornecedores exercem papel crítico na operação e buscando opções já homologadas para uma eventual substituição. Do lado comercial, vale ampliar a prospecção em segmentos pouco explorados e revisar contratos para garantir maior previsibilidade de receita em momentos de instabilidade.

Outro ponto considerado estratégico é a liquidez. Manter reservas financeiras compatíveis com o porte da operação amplia a capacidade de resposta diante de mudanças externas e reduz a necessidade de decisões emergenciais em momentos de pressão.

Mais do que acumular caixa, a recomendação é entender por quanto tempo a empresa conseguiria sustentar suas atividades sem sua principal fonte de receita ou diante de uma queda repentina na demanda. Ter essa resposta ajuda a definir metas mais realistas de capital de giro e cria margem para ajustes sem comprometer a continuidade do negócio.

“O empresário brasileiro já aprendeu a enfrentar crises. O desafio agora é construir negócios capazes de crescer independentemente delas. O mundo está mais imprevisível do que há dez anos, e tudo indica que continuará assim. Nesse contexto, as organizações que terão mais espaço para avançar não serão necessariamente as maiores, mas as que conseguirem manter liberdade de decisão quando o mercado mudar”, conclui.

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