Por Roberto Maciel, editor do portal InvestNE:
Com a assinatura de Pyetra Santos, repórter no Rio de Janeiro, o site GShow publicou matéria com a atriz Juliana Paes. Há dois fachos que iluminam o texto e o caminho do leitor: a volta da artista ao posto de rainha da bateria da escola de samba Viradouro e o etarismo a ser vencido. Juliana retoma a posição aos 46 anos de idade, 18 anos após deixá-la. É um feito relevante em diferentes aspectos, sobretudo o de que a volta enfrenta um questionamento cruel: como uma mulher já “velha” – conforme padrões da moda e da folia – pode ser a representação física da bateria de uma agremiação de sambistas?
Disse Juliana Paes: “Vivemos num mundo que é muito etarista. Tem essa questão de será que dou conta? Será que vão ver isso com bons olhos? Amadurecer é você ir se despedindo do mundo das aparências, desencanando. Mas estar ali na vitrine sendo uma rainha de bateria é voltar pra esse lugar onde o seu corpo vai ser visto, onde a sua entrega vai ser avaliada. Tudo isso fica misturado e aí existe essa insegurança. Será que eu estou disposta a passar por essa sabatina? Todas essas perguntas vêm na cabeça”.
Sim, ela teve medo – não apenas das considerações de si mesma, mas das dos outros, em geral repletas de ignorância, preconceitos e grosserias.
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A propósito disso, lembrei do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do presidiário Jair, atacando o presidente Lula por causa dos 79 anos de idade que o governante do Brasil tem: “Ele [Lula] é aquele produto vencido. Se comparar o Lula a um carro, ele é aquele Opala velhão, câmbio manual, já foi bonito, mas hoje não te leva a lugar nenhum e ainda bebe para caramba”. A notícia está aqui.
A comparação, divorciada de indícios de inteligência e respeito, foi aplaudida por um público de “farialimers”, por ora preocupadíssimos com o que o escândalo do banco Master vai fazer com eles e o farto ganha pão de propinas e lavagem de dinheiro do PCC.
As palavras de Flávio são agressivas e despojadas de qualquer sensibilidade. Observando que o pai do senador é um “velhão” prestes a completar 71 anos e que, enjaulado, “não leva a lugar nenhum”, não espantam. Esse é, afinal, o modo bolsonarista de tratar as pessoas – com desprezo, falta de educação e arrogância.
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Mas para Lula, homenageado este ano pela escola Acadêmicos de Niterói, podem ficar a lição e a vivência de Juliana Paes: “O meu questionamento virou a resposta: ‘Acho que tenho que ir, existe um propósito nisso'”.
Esse é um Carnaval da razão: Lula e Juliana Paes vão; Jair não vai.


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