Do site Brasil 247:
A divulgação de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre repasses do banco Master ao [portal na Internet] Metrópoles desencadeou um embate público entre veículos de imprensa, com reação do grupo ligado ao ex-senador Luiz Estevão após denúncia envolvendo cerca de R$ 27 milhões. Reportagem publicada pelo jornal O Estado de São Paulo em 8 de abril apontou que o banco Master transferiu R$ 27,283 milhões ao Metrópoles entre 2024 e 2025, com base em documento do Coaf que identificou movimentações consideradas atípicas.
Segundo o jornal, os valores foram destinados à empresa Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA e, em seguida, houve “débito imediato” para outras companhias ligadas à família de Luiz Estevão. O relatório do Coaf indicou que o fluxo “pode configurar possível movimentação de recursos em benefício de terceiros” e classificou os aportes como “inusitados”.
Movimentações sob suspeita
O documento também destacou que as transações apresentavam padrão incompatível com o faturamento médio mensal da empresa. De acordo com os dados citados, o banco Master foi o principal remetente de recursos ao Metrópoles em 2025, com pagamentos que chegaram a R$ 5,7 milhões.
Parte dos recursos foi transferida para empresas como Madison Gerenciamento S/A, Sense Construções e Participações S/A e Macondo Construções e Participações S/A, todas com participação societária ou vínculos de gestão com Luiz Estevão e suas filhas.
As comunicações que deram origem ao relatório foram feitas pela Caixa Econômica Federal. O banco apontou “recebimento de transferências de valores inusitados” e “movimentação de recursos incompatível com o faturamento médio mensal”.
O documento reproduzido na reportagem afirma: “A comunicação ao Coaf é justificada pois no período analisado foi movimentado recursos incompatíveis com o faturamento médio mensal da pessoa jurídica, identificamos o recebimento de transferências de valores inusitados, a movimentação foi caracterizada pelo recebimento de crédito com o débito imediato dos valores, há indícios de movimentação de recursos em benefício de terceiros e movimentação com pessoas expostas politicamente”.
Contexto do banco Master
O período das transferências coincidiu com um momento crítico para o banco Master. Em março de 2025, o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, tentou vender o banco ao BRB. Posteriormente, passou a ser alvo de investigações por suspeita de fraude financeira bilionária.
Em novembro do mesmo ano, o banco foi liquidado pelo Banco Central. Vorcaro, segundo a reportagem, encontra-se preso.
Reação do Metrópoles
Em reação à reportagem do Estadão, o Metrópoles publicou, nesta sexta-feira (17), uma matéria com acusações contra o jornal paulista. O texto afirma que o Estado de São Paulo captou R$ 142,5 milhões no mercado e utilizou a gestora Trustee DTVM na operação.
Segundo a publicação, a Trustee é controlada por Maurício Quadrado, sócio de Daniel Vorcaro no banco Master e em outros negócios. A reportagem destaca que, no momento da contratação pela empresa jornalística, Quadrado já havia tido bens bloqueados em investigação da Polícia Federal.
O texto também afirma que a gestora e seu controlador são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionada ao banco Master, além de serem alvo de apurações sobre ocultação de recursos oriundos de adulteração de combustíveis.
A reação do Metrópoles marca a escalada da disputa entre os veículos após a divulgação das informações financeiras apontadas pelo Coaf, ampliando o conflito público em torno do caso.


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