Por Roberto Maciel, jornalista:
Chega a assombrar: um sujeito chamado Renan Santos, ungido candidato a presidente da República pela direita mais radical que já pôs os pés na política brasileira, quase uma renovação do fascismo integralista dos anos 1930 e 1940, está prometendo matar pessoas. Diz ele que, se eleito, vai mandar prender e matar pessoas em conflito com a lei. É óbvio que se trata de o que se chama de “arranco” irresponsável, ou “esparro”.
Também prega aviso: “No meu governo, não vou pagar o gás nem a escola de ninguém!”
Renan Santos é um dos donos do “Missão”, partido em que se transformou o MBL (“Movimento Brasil Livre”), ajuntamento de arruaceiros que ganhou volume e representatividade no golpe que resultou no impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2016. O MBL ia às ruas, quebrava vidraças, fazia discursos incendiários e mobilizava grupos que oscilavam entre a brutalidade, a ignorância, a violência e a ameaça. Na época, dizia-se que era financiado pelo criminoso Eduardo Cunha, então deputado e presidente da Câmara federal.
Resolveu, antes mesmo de a campanha começar, cometer crimes. Diz o Código Penal Brasileiro:
“Art. 147 – Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:
Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º Se o crime é cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código, aplica-se a pena em dobro. (Incluído pela Lei nº 14.994, de 2024)
§ 2º Somente se procede mediante representação, exceto na hipótese prevista no § 1º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.994, de 2024)”
A Justiça Brasileira, no entanto, sobretudo o pastoso Tribunal Superior Eleitoral, faz de conta que não conhece as normais penais do País.
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Todos – sim, todos – os integrantes do MBL tinham relações com o bolsonarismo. Apoiavam e elogiavam a política persecutória de Jair Bolsonaro, mas hoje dizem-se adversários. Isso até faz sentido, porque Bolsonaro não tem mais poder e o antigo MBL precisa se destacar como bastião da insanidade. Foi o MBL, hoje Missão, que pariu o deputado Kim Kataguiri, que defende a existência de um partido nazista no Brasil.
Renan Santos tem uma série de obscuridades financeiras relacionadas a ele e à família. Também foi citado pelo asqueroso “Mamãe Falei”, elemento que é a cara do abuso machista, num áudio em que revelou o motivo de ter ido à Ucrânia: fazer predação sexual com vítimas da guerra. “Renan vem sempre fazer um ‘tour de blonde'”, disse a cupinchas na mensagem por aplicativo. As viagens de Renan Santos seriam também uma caçada a mulheres louras em situação de pobreza.
Esse é o nível de um desconfiável baderneiro que se meteu na disputa pelo comando do Brasil. O que tem de mais grave nisso não chega nem a ser o objetivo dele, visto que qualquer criminoso tem a possibilidade de fazer planos, mas a disposição de gente votar nele.
No fim das contas, sabe o que Renan faz? Aponta para a cara da bilionária e da favelada e diz: “Vou prender o teu filho e matar ele porque ele usa drogas. Não vou nem dar chance para que se defenda”.
Só que, se eleito, cumpriria somente a ameaça à segunda. Esse é o “Brasil Livre” que essa turma quer – livre de Justiça, de Direitos Humanos e de Democracia.


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