Do site Revista Fórum:
Um dos policiais civis presos nesta terça-feira (10.3) pela Polícia Federal sob suspeita de integrar um esquema de extorsão contra traficantes do Comando Vermelho já havia sido homenageado oficialmente por Carlos Bolsonaro (foto, vereador filho do presidiário criminoso Jair Bolsonaro) na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Trata-se de Leandro Moutinho de Deus, alvo da nova fase da Operação Anomalia. Em moção de louvor e reconhecimento assinada por Carlos Bolsonaro em 14 de dezembro de 2023, o policial é apresentado como “oficial de cartório” da Polícia Civil e exaltado por sua atuação na segurança pública.
A informação dá novo peso político ao caso, porque Leandro agora aparece entre os presos de uma operação federal que, segundo a PF, mira um núcleo formado por policiais civis e operadores financeiros suspeitos de usar a estrutura do Estado para extorquir integrantes da facção, além de praticar corrupção e lavagem de dinheiro.
Moção oficial liga nome de Carlos Bolsonaro ao policial preso
No documento da Câmara do Rio, Carlos Bolsonaro presta homenagem formal a Leandro Moutinho de Deus em um ato oficial do Legislativo carioca. Não se trata de citação lateral, postagem em rede social ou fotografia de campanha. É um registro institucional, assinado pelo vereador, que agora ressurge no momento em que o policial entra no radar da Polícia Federal.
A investigação da PF não atribui, até o momento, qualquer participação de Carlos Bolsonaro no esquema apurado. O dado objetivo, porém, é politicamente incômodo: um policial preso em operação que apura extorsão de traficantes do CV foi homenageado oficialmente pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que a PF diz sobre a nova fase da Operação Anomalia
Em nota oficial divulgada na manhã desta terça, a Polícia Federal informou que a nova fase da Operação Anomalia teve como alvo um núcleo criminoso composto por policiais civis do estado do Rio de Janeiro e operadores financeiros.
De acordo com a corporação, foram cumpridos 4 mandados de prisão preventiva e 3 de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. A PF afirmou que o grupo é investigado por “utilizar a estrutura do Estado para extorquir integrantes de facção criminosa”, além de atuar em práticas de corrupção e lavagem de capitais.
A ofensiva também incluiu medidas de descapitalização do grupo, com afastamento das funções públicas, suspensão de atividades empresariais usadas nas práticas sob investigação e bloqueio de contas bancárias e criptoativos ligados aos alvos.
Leandro está entre os presos da operação
Além de Leandro Moutinho de Deus, também foram presos nesta fase o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves e o policial civil Franklin José de Oliveira Alves. O quarto alvo foi Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, apontado nas investigações como traficante e já encarcerado.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, instituída em cumprimento ao acórdão da ADPF 635. Segundo a PF, as apurações indicam que os investigados apresentavam movimentação patrimonial milionária e incompatível com a renda lícita, com suspeita de uso de empresas e estruturas patrimoniais para ocultação de recursos.
Caso se soma à fase anterior, que já havia atingido entorno bolsonarista
A prisão de Leandro ocorre um dia depois da etapa anterior da Operação Anomalia, que alcançou o delegado da PF Fabrizio Romano e o ex-secretário estadual Alessandro Pitombeira Carracena. Como mostrou a Fórum em reportagem publicada mais cedo, Carracena é um nome que já apareceu politicamente associado ao entorno de Flávio Bolsonaro.
Agora, com a descoberta da moção assinada por Carlos Bolsonaro, a nova fase da operação acrescenta mais um elemento político ao caso: um dos policiais presos pela PF havia sido transformado em homenageado oficial do vereador no Rio.
É esse cruzamento entre documento público e operação policial que torna o caso sensível para o bolsonarismo carioca. Antes de aparecer entre os presos da PF, Leandro Moutinho de Deus já havia sido celebrado por Carlos Bolsonaro dentro da própria estrutura institucional da Câmara Municipal.

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