Carnaval acende alerta para ISTs diante da queda no uso do preservativo de falsa sensação de proteção

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Com a chegada do Carnaval, período marcado por festas, maior circulação de pessoas e aumento das relações casuais, especialistas em saúde acendem o alerta para o avanço das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Dados recentes apontam queda significativa no uso do preservativo, especialmente entre jovens adultos, ao mesmo tempo em que cresce a adesão à PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), medicamento eficaz na prevenção do HIV, mas que não protege contra outras doenças.

De acordo com o médico imunologista da reprodução Marcelo Cavalcante (foto), o cenário é preocupante porque cria uma falsa sensação de segurança. “A PrEP é uma estratégia extremamente importante no combate ao HIV, mas ela não protege contra sífilis, gonorreia, clamídia, HPV e outras ISTs que seguem avançando silenciosamente”, explica.

Segundo o especialista, muitas dessas infecções não apresentam sintomas imediatos e podem permanecer no organismo por anos sem diagnóstico, causando inflamações crônicas que afetam diretamente a saúde reprodutiva. “É cada vez mais comum recebermos casais que só descobrem uma IST antiga quando enfrentam dificuldade para engravidar ou episódios de perda gestacional”, afirma Marcelo Cavacante.

O alerta ganha ainda mais relevância no período carnavalesco, quando o relaxamento nas medidas de prevenção se intensifica. Estudos mostram que o uso do preservativo vem caindo de forma consistente nos últimos anos, impulsionado pela confiança excessiva em métodos farmacológicos e pela desinformação sobre os riscos das ISTs além do HIV.

“O preservativo continua sendo a única forma de prevenção que protege simultaneamente contra o HIV e contra as demais infecções sexualmente transmissíveis”, reforça o médico. “Quando falamos de ISTs, não estamos tratando apenas de uma infecção passageira, mas de algo que pode comprometer projetos de vida, como o desejo de formar uma família.”

Marcelo destaca ainda a importância da testagem regular, sobretudo após períodos de maior exposição. “O diagnóstico precoce evita complicações, interrompe a cadeia de transmissão e preserva a saúde reprodutiva de homens e mulheres”, pontua.

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