Por Roberto Maciel, jornalista:
Quando tive acesso à notícia da morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, 22 anos, em Fortaleza, não pude fugir de outro episódio estarrecedor: um deputado federal eleito pelos cearenses xingando a legislação que protege mulheres da violência. Isabelle morreu em circunstâncias misteriosas
O sujeito tem nome – André Fernandes, bolsonarista e “rapaz muito talentoso”, no dizer de um aliado íntimo e subordinado dele, o também direitista Ciro Gomes.
Revoltado com os direitos femininos, André Fernandes soltou essa ofensa à vida nas redes sociais, faz uns três anos: “Feminicídio? Dane-se!” Para ele, meios legais de conter a brutal prevalência de homens violentos sobre mulheres são um incômodo e devem ser eliminados.
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Há quem acredite que Isabelle foi assassinada. Ela foi encontrada morta no térreo do condomínio onde morava com o namorado, o advogado João Munhoz Neto, que até a manhã deste domingo está desaparecido. A família só foi informada mais de 24 horas após o fato. Tudo o que cerca o caso são brumas.
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Ao acompanhar comentários na Internet sobre o longo desabafo que fez a mãe, a professora Isorlanda Caracristi, encontrei reações de censura a quem tentava expor a situação à luz da política. Houve políticos e políticas tachados de “oportunistas” ou de “insensíveis” por terem abordado o caso no cenário eleitoral de agora e cobrado posturas mais firmes da polícia.
O erro aí é enorme.
A morte de Isabelle Caracristi precisa, sim, ser tratada politicamente. É só aí que se poderá ter algum encaminhamento para esse caso específico e outros que ocorreram – mais, ainda: em que se poderá ver alguma indicação de prevenção para outros que poderão vir. Trata-se não de um episódio fortuito, esparso, perdido entre tantas ocorrências de violência. O caso de Isabelle é a repetição de muitos que matam a esperança e destroem famílias inteiras. Tenha sido ela empurrada ou caído, o que não pode perdurar é a dúvida e, se for o caso, a impunidade.
Se a política se calar, se os políticos se amofinarem e se deixarem intimidar por menções de censura e cancelamento, a inteligência, o bom caráter e a humanidade estarão irremediavelmente perdidos.
E terá sido vitoriosa a aberração moral e asquerosa do “talentoso” André Fernandes que prega o cruel e cúmplice “dane-se!” contra a vida.


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