Pesquisas sobre o comportamento do consumidor em Fortaleza, referentes a julho de 2026 e realizadas pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), órgão da Fecomércio Ceará, revelam na capital um ambiente de maior confiança, fortalecimento do consumo e estabilidade das condições de crédito das famílias.
O Índice de Confiança do Consumidor alcançou o melhor resultado dos últimos cinco anos, atingindo 127,2 pontos em julho, com crescimento de 1,5% em relação a junho, quando registrou 125,4 pontos, e avanço expressivo frente aos 113,7 pontos observados no mesmo mês de 2025. Trata-se do melhor resultado registrado nos últimos cinco anos.
O levantamento mostra ainda que 59,4% dos consumidores consideram o momento favorável para a aquisição de bens duráveis. A percepção é mais elevada entre mulheres (59,6%), jovens de 18 a 24 anos (65,2%) e consumidores com renda familiar entre três e sete salários mínimos (69,2%).
O otimismo também aparece na avaliação da situação financeira. 79,0% dos entrevistados afirmam estar em condição financeira melhor ou muito melhor do que há um ano, enquanto 86,4% acreditam em melhora nos próximos meses. Em relação à economia brasileira, 70,2% demonstram expectativa positiva para o próximo ano.
A intenção de compra acompanhou esse movimento, passando de 36,7% em junho para 37,2% em julho, superando também o índice registrado no mesmo período do ano passado (36,2%). O valor médio estimado das compras foi de R$ 618,22.
Entre os produtos mais procurados estão roupas e artigos de vestuário (18,9%), geladeiras e refrigeradores (16,8%), televisores (16,3%), móveis e artigos de decoração (14,0%) e calçados (12,5%).
Além da melhora dos indicadores econômicos, fatores sazonais também impulsionaram o consumo, como as férias escolares e a realização da Copa do Mundo, que estimularam a demanda por lazer, turismo, alimentação, eletrônicos, artigos esportivos e outros segmentos do comércio e dos serviços.
Mercado de crédito mantém indicadores positivos
A Pesquisa de Endividamento do Consumidor mostra que 69,6% das famílias de Fortaleza possuem algum tipo de dívida, índice praticamente estável em relação a junho (69,1%) e superior ao observado em julho do ano passado (65,6%). O resultado reflete a continuidade do uso do crédito pelas famílias, mas sem comprometer a qualidade dos indicadores financeiros.
O principal destaque permanece sendo a evolução da qualidade do crédito. O percentual de consumidores com contas em atraso recuou para 16,8%, redução de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior (17,3%) e o menor nível registrado nos últimos cinco anos.
Entre os consumidores inadimplentes, o tempo médio de atraso é de 73 dias. As principais razões apontadas para o não pagamento das obrigações são o adiamento do pagamento para utilização dos recursos em outras finalidades (45,6%), o desequilíbrio financeiro (45,3%), a contestação da dívida (12,8%) e o esquecimento do prazo (6,9%).
A inadimplência potencial, indicador que mede a proporção de consumidores com risco de não conseguir quitar seus compromissos financeiros, apresentou leve alta, passando de 8,1% para 8,7%.
O comprometimento médio da renda familiar com dívidas ficou em 41,0%, ante 40,7% registrados em junho. O valor médio das dívidas foi estimado em R$ 1.851, com prazo médio de oito meses para quitação.
O cartão de crédito continua sendo o principal instrumento utilizado pelos consumidores, citado por 82,4% dos entrevistados, seguido pelos financiamentos bancários (15,2%), empréstimos pessoais (10,1%) e carnês e crediários (3,1%).
Os gastos correntes seguem como principais responsáveis pelo endividamento, especialmente as compras de alimentos a prazo (61,3%), seguidas por despesas com saúde (31,0%), vestuário (27,3%) e educação (23,4%).
A pesquisa mostra ainda que 73,7% dos consumidores realizam orçamento mensal e acompanham de forma efetiva suas receitas e despesas. Outros 14,6% afirmam fazer algum planejamento financeiro, porém sem controle adequado dos gastos, enquanto 11,7% não possuem qualquer tipo de organização financeira.
Cenário favorável para o segundo semestre
Na avaliação da Fecomércio Ceará, os resultados das pesquisas mostram que Fortaleza inicia o segundo semestre com um ambiente de consumo mais favorável, sustentado pela confiança das famílias, pela maior disposição para o consumo e por indicadores de crédito que permanecem entre os melhores dos últimos anos.
Para o presidente da Fecomércio Ceará, Luiz Fernando Bittencourt, os levantamentos confirmam que o comércio encontra um ambiente cada vez mais propício ao crescimento.
“Os indicadores de julho mostram que o consumidor fortalezense mantém uma percepção positiva sobre sua situação financeira e segue disposto a consumir de forma planejada. Esse ambiente de maior confiança favorece a atividade comercial e cria expectativas positivas para o segundo semestre, especialmente se houver continuidade da geração de emprego, renda e estabilidade econômica.”, destaca.
Os levantamentos reforçam que a combinação entre confiança elevada, estabilidade financeira das famílias e manutenção da capacidade de pagamento cria condições para sustentar o consumo e favorecer o desempenho do comércio nos próximos meses, desde que permaneçam fatores como geração de emprego, preservação da renda e estabilidade do ambiente econômico.

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