As pesquisas sobre o comportamento do consumidor em Fortaleza, referentes a junho de 2026 e realizadas pela Fecomércio Ceará, por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), apontam cenário positivo para a economia local. Os dados mostram aumento da confiança do consumidor, maior disposição para o consumo e melhora significativa nos indicadores de crédito das famílias, que registraram os melhores resultados de inadimplência desde a pandemia de Covid-19.
Segundo a Pesquisa de Endividamento do Consumidor, 69,1% dos fortalezenses possuem algum tipo de dívida, apresentando redução de 3,3 pontos percentuais em relação a maio (72,4%), reforçando a tendência de melhora na saúde financeira das famílias.
O perfil do consumidor endividado é predominantemente feminino (72,0%), concentrado na faixa etária de 25 a 34 anos (74,0%) e entre aqueles com renda familiar superior a sete salários-mínimos (78,6%). O cartão de crédito segue como principal modalidade utilizada, citado por 85,2% dos entrevistados, seguido por financiamentos bancários (15,7%), empréstimos pessoais (9,7%) e carnês e crediários (5,0%).
Crédito apresenta melhora histórica
O principal destaque da pesquisa está nos indicadores de qualidade do crédito. O percentual de consumidores com contas em atraso caiu para 17,3%, resultado 3,0 pontos percentuais inferior ao registrado em maio (20,3%) e o melhor desempenho desde a pandemia.
Entre os motivos mais citados para o não pagamento de obrigações estão o desequilíbrio financeiro (51,7%), o adiamento do pagamento para uso dos recursos em outros fins (42,5%), a perda de prazo por esquecimento (10,7%) e a contestação da dívida (6,3%).
A inadimplência potencial, indicador que mede a proporção de consumidores que poderão enfrentar dificuldades para quitar seus compromissos financeiros, também apresentou melhora expressiva, recuando de 9,8% para 8,1%, o menor nível registrado desde 2022.
Outro resultado positivo foi a redução do comprometimento da renda familiar com dívidas, que passou de 42,5% para 40,7%. O valor médio das dívidas ficou em R$ 1.899, com prazo médio de oito meses para quitação total.
Os gastos correntes continuam sendo os principais responsáveis pelo endividamento, especialmente a compra de alimentos a prazo (58,1%), seguida por vestuário (27,8%), eletrodomésticos (27,4%) e despesas com saúde (25,7%).
A pesquisa mostra ainda que 75,8% dos consumidores afirmam realizar orçamento mensal e acompanhamento de receitas e despesas, enquanto 13,6% fazem algum planejamento, mas sem controle efetivo dos gastos, e 10,6% não possuem qualquer tipo de organização financeira.
Consumidor encerra semestre mais otimista
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) atingiu 125,4 pontos em junho, registrando crescimento de 2,8% em relação a maio (121,9 pontos) e avanço expressivo na comparação com junho de 2025, quando marcou 114,4 pontos.
A pesquisa aponta ainda que 57,1% dos consumidores consideram o período favorável para a aquisição de bens duráveis. Além disso, 77,3% afirmam que sua situação financeira atual está melhor do que há um ano, enquanto 87,8% acreditam em melhora nos próximos meses. Em relação à economia brasileira, 62,5% demonstram expectativa positiva para o próximo ano.
A intenção de compra também avançou, passando de 35,2% em maio para 36,7% em junho. O valor médio das compras foi estimado em R$ 624,89. Entre os produtos mais procurados estão geladeiras e refrigeradores (19,3%), móveis e itens de decoração (13,4%), roupas (13,2%), televisores (12,4%), máquinas de lavar roupa (12,1%), fogões (10,1%) e calçados (9,2%).
Fatores sazonais reforçam o otimismo
Além da melhora dos indicadores econômicos, fatores sazonais ajudam a impulsionar a confiança dos consumidores. As festas juninas, o início das férias escolares, o aumento do fluxo turístico e a maior circulação de pessoas contribuem para um ambiente mais favorável ao consumo.
A realização da Copa do Mundo 2026 também surge como um estímulo para setores ligados à eletroeletrônicos, alimentação, lazer e serviços.
Para o presidente da Fecomércio Ceará, Luiz Fernando Bittencourt, os resultados demonstram que as famílias estão conseguindo equilibrar melhor suas finanças sem abrir mão do consumo. “Os dados mostram uma evolução importante na qualidade do crédito, com queda dos índices de atraso e da inadimplência potencial, ao mesmo tempo em que cresce a confiança e a intenção de compra dos consumidores. Esse equilíbrio entre organização financeira e disposição para consumir fortalece o comércio, movimenta a economia e cria perspectivas bastante positivas para o segundo semestre”, destaca.
Os levantamentos indicam que Fortaleza encerra o primeiro semestre de 2026 com um ambiente de consumo mais saudável, sustentado pela confiança das famílias, pela melhora das condições de crédito e pela expectativa de continuidade do crescimento econômico nos próximos meses.


Fique por dentro do mundo financeiro das notícias e opiniões que rolam no Ceará, Nordeste e Brasil.