Do site The Intercept:
A investigação da fraude do Banco Master está sendo instrumentalizada, da mesma forma que a Lava Jato, para mudar os rumos do país.
Até onde se sabe, quem mexeu os pauzinhos em Brasília para favorecer os esquemas de Daniel Vorcaro, dono do Master, foram políticos da extrema direita e do centrão: Antonio Rueda, presidente do União Brasil; Ciro Nogueira, presidente do PP; e Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, do MDB.
Mesmo assim, parte da imprensa correu para salientar as relações de Vorcaro com membros do STF, agradando o bolsonarismo pró-anistia e deixando passar batido a tropa de choque do banqueiro.
Já vimos esse tipo de seletividade antes. Na verdade, já denunciamos.
Na nossa série de reportagens Vaza Jato um exemplo dessa seletividade ficou famoso: a mensagem em que Sergio Moro dizia para “não melindrarem” o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na mesma época em que soltava os cachorros em cima de Dilma Rousseff e Lula.
E deu no que deu.
Uma investigação que tinha potencial para combater os problemas estruturais da política brasileira – independente de partido – foi usada para fins eleitorais em uma articulação que não só levou Bolsonaro à presidência, mas impulsionou a extrema direita como um todo.
Vamos permitir que essa oportunidade que temos de responsabilizar as elites pelos seus crimes seja transformada novamente em retrocessos políticos e demonização de instituições, ou vamos aproveitá-la?
A liquidação do Master pelo Banco Central escancarou a relação codependente entre o sistema financeiro e o poder político:
Ibaneis Rocha, governador do DF, defendeu a compra das ações do Master pelo BRB, que custou cerca de R$2 bilhões em dinheiro público. Compra essa que foi defendida por todos os deputados da base de Ibaneis e que, segundo as investigações da PF, seria unicamente para abafar as fiscalizações do Banco Central;
Ciro Nogueira, presidente do PP, e Antonio Rueda, presidente do União Brasil também apoiaram a compra;
Ciro Nogueira já havia atuado nos bastidores para barrar uma CPMI que investigaria o Banco Master. O mesmo tentou emplacar o que ficou conhecida como “Emenda Master” na PEC que garantiria a autonomia financeira do Banco Central.
Em outras palavras, colocaram um banco público para salvar um banco privado rumo à falência e tentaram usar a máquina pública para dar passe-livre ao trambique. Privatiza-se o lucro e o prejuízo fica para o povo.
Por isso é tão reveladora a postura da imprensa ao abrir fogo exclusivamente contra a Suprema Corte, enquanto ignora manobras ilegais de bancos privados e a má gestão de bancos públicos e governos.
O fantasma da Lava Jato está à solta, não podemos permitir que ele encarne nestas próximas eleições.


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