Por João Filho, jornalista do site The Intercept, na newsletter Caos & Paixão:
A extrema direita chega para a disputa eleitoral com uma série de fragilidades estruturais: não tem um arco de alianças, não tem um vice estratégico e com apelo eleitoral, não conta com o entusiasmo da madrasta popular e ainda pode sofrer com os desdobramentos dos escândalos de corrupção em que Flávio está metido.
Se a política fosse uma ciência exata, poderíamos dizer que tudo aponta para uma derrota retumbante de Flávio. Mas sabemos que as coisas não são tão simples e fatos novos podem alterar rapidamente o quadro.
O bolsonarismo ainda é uma força eleitoral muito forte e a diferença na porcentagem de votos para Lula é pequena. Mesmo com tantos reveses nos últimos meses, Flávio conseguiu estancar a queda nas pesquisas e até recuperar um pouco o fôlego.
Além disso, os extremistas contam com o fiel escudeiro Kassio Nunes na presidência do Tribunal Superior Eleitoral e com um André Mendonça no Supremo Tribunal Federal com um claro apetite para arrastar o nome de Lula para a roubalheira do INSS.
O ministro “terrivelmente evangélico” indicado por Jair Bolsonaro tem extrapolado suas funções ao tentar controlar todos os procedimentos da Polícia Federal sobre o caso do INSS, o que é, no mínimo, controverso. O controle externo da PF é prerrogativa do Ministério Público Federal, e não de um ministro do Supremo.
Mendonça parece querer estabelecer a narrativa de que a polícia está sendo omissa nas investigações contra Lulinha. Por enquanto, não há nada além de suspeitas contra o filho do presidente, mas o assunto entrou no noticiário com força nos últimos dias.
Já o caso “Dark Horse” esfriou, e o ministro Mendonça não demonstra a mesma volúpia para investigá-lo. Não fosse a Vaza Flávio, publicada pelo Intercept, provavelmente estaríamos até hoje sem saber das conversas do candidato com Daniel Vorcaro, o maior bandido do Brasil.
Apesar de todos os obstáculos que Flávio e sua turma têm criado para eles mesmos, não se pode subestimar o poder eleitoral e a capacidade que essa gente tem para arrastar a disputa para o tapetão.
A esperança da extrema direita é que o quadro eleitoral possa ser revertido na trincheira jurídica. O recente histórico da política brasileira sugere que essa não é uma possibilidade remota. Que os democratas fiquem atentos, porque os golpistas seguem vivos.


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