A música eletrônica no Ceará pode ter reconhecimento institucional e, como manifestação cultural, mais apoio do poder público. A deputada Larissa Gaspar (PT) pôs para tramitar na Assembleia Legislativa projetos voltados ao fortalecimento do setor cultural: o Projeto de Lei nº 144/2026, que estabelece medidas de incentivo à cena da música eletrônica no estado, e o Projeto de Lei nº 143/2026, que institui o Dia Estadual da Música Eletrônica, a ser celebrado anualmente no último domingo de setembro.
A iniciativa atende demanda de artistas, produtores e coletivos que movimentam a economia criativa e o turismo cultural no Ceará com festas, festivais e eventos. A cena ainda enfrenta entraves legais, preconceitos e dificuldades para obtenção de licenças e autorizações para a realização de eventos. Com a aprovação das propostas, a expectativa é ampliar o reconhecimento da música eletrônica como expressão cultural legítima, além de estimular políticas públicas de incentivo, formação e valorização dos profissionais que atuam nesse segmento.
O que é música eletrônica
A música eletrônica é produzida a partir de instrumentos e tecnologias digitais, como sintetizadores — que geram sons artificialmente —, samplers — equipamentos que capturam e manipulam sons —, teclados e softwares de composição musical. Trata-se de uma linguagem musical baseada na manipulação eletrônica de sons, embora também possa incorporar instrumentos acústicos em suas produções. A definição está no livro “CE-Music: um outro olhar sobre a cena acerca da história da chamada e-music de Fortaleza”, da pesquisadora Viviane da Rocha Prado, que analisa a trajetória local da música eletrônica.
Fortaleza no mapa da música eletrônica
Ao longo das últimas décadas, diversos artistas e produtores contribuíram para consolidar Fortaleza como um polo relevante da música eletrônica no Brasil. Entre eles está o DJ e produtor Rodrigo Lobbão, fundador do coletivo Undergroove, que ajudou a projetar a cidade no cenário nacional e internacional.
Em entrevista ao portal Colors DJ, Lobbão relembra momentos marcantes dessa trajetória: “Tivemos vários momentos. Nos anos 2000, eventos como o Ceará Music e o FW Electronics colocaram a cidade no radar dos grandes festivais. Houve edições com nomes como Marco Carola, Adam Beyer e Valentino Kanzyani. Hoje vemos novamente grandes produtoras investindo em megaeventos e empresários apostando em clubs voltados ao underground. A cena segue em movimento.”


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