Por Roberto Maciel, jornalista:
Vi, vasculhando as redes sociais nesta taciturna segunda-feira, o jornalista Juca Kfouri tratando o ex-jogador em atividade Neymar como “repulsivo”. Disse o experiente profissional que o camisa 10 do Santos F.C. – manto sagrado já envergado pelo sensacional Pelé – não tem compromisso com o coletivo, mas só consigo mesmo.
É possível que o gol de pênalti que Neymar fez faltando 30 segundos para o jogo com a Noruega acabar sirva de fôlego extra para ele aparecer em propagandas de bets ou fazendo proselitismo político para Jair Bolsonaro e o resto dos que o acompanham. Uma sobrevida, digamos assim. A zombaria que ensaiou contra o goleiro e a choradeira após o apito final, não: essas o põem, com louvor, na galeria do ridículo.
Mas é possível também que o sarrafo crítico dos brasileiros acabe sendo elevado mais um pouco. Alguém, afinal, há de sensibilizar com a fato de que o fizeram ou tentaram fazer de otário.

A deformidade moral de um sistema que acolhe quem publiciza a jogatina em pleno campo de futebol, e o premia com uma convocação estranha, no mínimo isso, é uma derrota permanente – essa observação vale também para Vinícius Jr. e os demais personagens de reclames de apostas online, ninguém deve escapar, não há inocentes.
Essa mesma deformidade moral alcança, com iguais rigor e consequências, quem vota em gângster achando que está fazendo “democracia”. Ou, pior, sabendo que não.
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Preciso ressaltar: não escrevo aqui como boleiro frustrado, fã ou entusiasta de futebol. Distintamente de outras copas, não alimentei expectativa positiva nenhuma com o time brasileiro – não conhecia nem de nome a maioria dos atletas, não fui buscar informações sobre eles, não me empolguei com a convocação de nenhum.


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