Pesquisa associa onda global de fraudes em bancos via celular a complexos de golpes no Camboja

Casos de fraudes viabilizadas por malware e golpes com acesso remoto têm crescido junto com operações de fraude em escala industrial no Sudeste Asiático, o que levou governos da região a emitirem alertas nos últimos anos. Ainda assim, estabelecer uma conexão direta entre malwares específicos e esses complexos, já conhecidos, vinha sendo um desafio – até agora.

Em uma nova pesquisa conjunta, a Infoblox Threat Intel e a ONG vietnamita Chong Lua Dao identificaram um trojan bancário para Android que, muito provavelmente, é operado a partir de diferentes localidades, incluindo o complexo K99 Triumph City, no Camboja, um local já apontado pela ONU e outras organizações por envolvimento em esquemas de fraude em larga escala e uso de trabalho forçado.

A equipe chegou à operação após identificar um aumento incomum no tráfego de DNS nas redes de clientes da Infoblox, o que levou à descoberta de uma plataforma até então não documentada de “malware as a service”. Esse serviço registra cerca de 35 novos domínios por mês para se passar por bancos, órgãos de seguridade social, autoridades fiscais, concessionárias de serviços e até forças de segurança em pelo menos 21 países, com maior volume de ataques direcionados a usuários na Indonésia, Tailândia, Espanha e Turquia.

Uma vez que as vítimas instalam o aplicativo falso, que simula ser de um “órgão governamental” ou “banco”, os operadores passam a ter controle total do dispositivo. O trojan é capaz de capturar dados de reconhecimento facial durante verificações de identidade (KYC) fraudulentas, interceptar códigos de verificação enviados por SMS e acessar silenciosamente aplicativos de banco no celular para movimentar dinheiro entre países, transformando mecanismos de segurança, como biometria e OTPs, em portas de entrada para fraudes de tomada de conta.

“Não se trata de golpes isolados ou pontuais. São verdadeiras linhas de produção. Há anos sabemos que esses complexos de fraude existem e já suspeitávamos da distribuição de malware nesses locais, mas agora temos uma confirmação concreta”, afirmou a Dra. Renée Burton, VP de Threat Intel da Infoblox.“Agora sabemos que, além da engenharia social associada aos chamados golpes de pig butchering, esses complexos estão sendo usados para conduzir operações sofisticadas, que roubam credenciais bancárias e permitem que agentes maliciosos espionem as vítimas.”

A pesquisa indica que, se bancos, fintechs e governos não reforçarem a segurança de seus canais móveis, especialmente no Android, para além de SMS e biometria básica, a tendência é de aumento em ataques coordenados e transfronteiriços a contas de clientes, além de uma pressão maior de reguladores sobre a robustez das defesas contra fraudes em ambientes mobile.

A pesquisa mostra que, a menos que bancos, fintechs e governos reforcem seus canais Android e móveis, para além de SMS e biometria básica, devem esperar mais operações transfronteiriças coordenadas contra contas de clientes, além de questionamentos mais rigorosos por parte dos órgãos reguladores sobre a resiliência de suas defesas contra fraudes em ambientes móveis.

A pesquisa completa está aqui.

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