Seis representantes de associações de quebradeiras de coco babaçu do Maranhão participaram no início deste mês de treinamento sobre processamento de derivados do babaçu na Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza. A capacitação contou também com quatro representantes da Embrapa Maranhão, dois deles novos contratados da área de Engenharia de Alimentos: a pesquisadora Ludmilla Oliveira e o analista Gabriel Cicalese. Eles conheceram os pesquisadores que coordenaram o desenvolvimento da bebida vegetal e do análogo de queijo – Nedio Wurlitzer e Selene Benevides -, em projeto liderado pela pesquisadora Guilhermina Cayres, da Embrapa Maranhão.
Segundo Cayres, o treinamento realizado na Embrapa Agroindústria Tropical foi uma atividade no âmbito do projeto “Inovação e tecnologias de impacto social para a cadeia de valor do babaçu na Amazônia Maranhense”, financiado pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e uma demanda dos grupos de quebradeiras de coco, que já haviam passado pelo treinamento durante projeto anterior conduzido pelas duas Unidades. “Isso porque houve renovação das participantes das agroindústrias, então foi necessário realizar mais essa capacitação”, afirmou. O chefe de P&D da Embrapa Maranhão, Joaquim Costa, e a bolsista Amanda Bergmann, nutricionista que integra equipe do projeto, estiveram também presentes.
Durante a programação, foram apresentadas técnicas de produção de bebida vegetal e análogo de queijo à base de babaçu. A pesquisadora Selene Benevides, que ministrou o treinamento ao lado de Nedio Wurlitzer, ressalta que as tecnologias abrem novos mercados para as famílias extrativistas. Segundo ela, a fabricação de derivados de maior valor agregado amplia a competitividade comercial das pequenas agroindústrias comunitárias e fortalece o desenvolvimento local. A pesquisadora Ludmila Carvalho Oliveira destacou que a capacitação foi uma oportunidade para conhecer novas formulações e planejar a replicação desses treinamentos no Maranhão.
O chefe de P&D da Embrapa Maranhão, Joaquim Costa, destacou as trocas entre a pesquisa e o conhecimento tradicional e entre os pesquisadores das Unidades. “As quebradeiras de coco são bem atuantes, elas dão várias dicas, vários toques durante o preparo dos alimentos, acrescentando sua cultura. É uma construção participativa. Além disso, propicia interação entre as equipes técnicas da Embrapa, estreitando os laços e nutrindo parcerias. Iniciamos conversa sobre novos projetos conjuntos para desenvolvimento de ativos para a cadeia do babaçu”.
A transição do extrativismo para o processamento de produtos tem impactado positivamente a renda e a autoestima das mulheres que vivem do babaçu. Para Antônia Vieira, vice-presidente da Associação Clube de Mães Lar de Maria, da comunidade de Pedrinhas (Itapecuru-Mirim, MA), o curso ajuda a aprimorar técnicas na agroindústria mantida pela entidade há 11 anos, que já produz pães, biscoitos, bolos e sorvetes.
Antônia explica que a fabricação da bebida e do análogo de queijo exige conhecimentos específicos, e a capacitação permitiu sanar dúvidas práticas e corrigir falhas de produções anteriores, garantindo melhor qualidade para as feiras e pontos de venda. “Melhorou a renda e a nossa vida. Cerca de 90% da comunidade vive do babaçu e desses produtos, mesmo quem não está diretamente na agroindústria, pois trabalha na coleta das amêndoas. Aumentou nossa renda e nossa autoestima”, relata.
Outra participante, Vanessa Fonseca, vice-presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores do Vinagre (também em Itapecuru-Mirim), conta que a entidade já desenvolveu cerca de 35 itens à base de babaçu, como brownies, chocolates e sorvetes. Para ela, a diversificação agregará ainda mais valor à matéria-prima, reduzindo a dependência do trabalho braçal de quebra do coco e incentivando o engajamento das associadas.


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