Ricardo Alcântara: “Pesquisa e conjuntura – uma projeção”

Por Ricardo Alcântara (foto ao lado), publicitário e escritor:

Saiu no sábado (26/9) uma nova rodada de pesquisa de opinião do Real Time Big Data, um instituto de credibilidade aumentada pelo bom desempenho recente, para o governo do Ceará. 

Uma conta na ponta do lápis do que sepode constatar favorece maior otimismo aos aliados do governador Elmano de Freitas, que pretende uma reeleição.

E não apenas pelo dado costumeiramente mais destacado, dos percentuais da resposta Estimulada, pois, como se sabe, a urna eletrônica pede uma resposta não induzida, espontânea.

Não é um detalhezinho tão sem importância assim. Na urna, não aparece uma cédula eleitoral contendo os nomes dos candidatos. Os seus, o eleitor levará anotados, na memória ou na sua “colinha” à mão.

Sendo assim, quanto mais próximos estivermos do dia da votação, como agora, mais relevante é observar o quadro de percentuais obtidos quando o pesquisador apresenta ao consultado a pergunta (em quem votará) sem oferecer a ele os nomes dos candidatos. Sugere uma medida de decisões mais consolidadas.

Nessa sondagem mais recente do Big Data, a resposta Estimulada sugere que Elmano de Freitas tem 7% de vantagem sobre Ciro Gomes e os indecisos são apenas 3%.

Aparentemente, abriu-se grande vantagem na reta final. Será? Vamos ver, então, como se comporta o eleitorado na resposta Espontânea, o que ora nos serve como uma lente de aproximação.

Nela, o percentual de indecisos (34%) ainda é maior do que o percentual de indicações em Elmano (32%), que lidera com 6% acima de Ciro (26%).

Desses 34%, presumidamente é razoável admitir que cerca de metade deles são pessoas que não irão comparecer à seção eleitoral ou irão, mas para votar branco/nulo – os alérgicos à política.

A uma semana da votação, restam então, digamos, uns 17% de votos a serem ainda conquistados pelos candidatos no quadro dessa eleição, polarizada e com grandes chances de se ver decidida logo no primeiro turno. 

Nesse segmento, Ciro precisaria, então, colocar uma vantagem de 9,5%, contra 7,5% de Elmano, para fazer a pontuação necessária à sua vitória.

No entanto, e este é um importante detalhe, quem está em viés de alta (curva de crescimento) é Elmano, e não ele, Ciro que, ao contrário, dá sinais de já ter alcançado seu teto, o potencial máximo de votos. 

Fosse o contrário – Ciro em fase de crescimento e Elmano estacionário – eu apostaria pelo menos 6 de minhas supostas 10 fichas na vitória da oposição. Mas não é o caso. É Elmano quem demonstra estar num momento de maior acumulação nas intenções de votos.

E há, também, a conjuntura político-eleitoral, da qual pesquisas são apenas retratos rabiscados que tentam descrever uma paisagem mutante.

O fator alinhamento partidário, por exemplo, tem um certo peso: Lula, o candidato a presidente aliado de Elmano, tem mais que o dobro das intenções de votos no Ceará do que o segundo colocado, Flávio Bolsonaro.

Por fim, não se pode relativizar demais nos dias finais da eleição o peso de poder contar – uns mais, outros menos – com uma base territorial de 90% de prefeitos, bem avaliados em sua grande maioria, que estarão à frente de “forças tarefa” empenhadas em esvaziar o almoxarifado de adesivos e santinhos com o nome do governador.

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