Por Roberto Maciel, jornalista
Em respeito à senhora e ao senhor leitores, caríssimos parceiros das minhas modestas reflexões, não vou tomar tempo de ninguém escrevendo muito sobre o desempenho de Ciro Gomes (PSDB/PL) no debate inaugural entre candidatos ao Governo do Ceará. Ciro me deu a impressão de que se acha muito para discutir política e gestão pública no Estado com quem quer que seja. Certamente por isso não quis saber de expor propostas nem se atualizar sobre aspectos diversos da vida cearense. Tacou a cara contra o muro, diria o “maluco beleza” Raul Seixas.
Arrogante como sempre, Ciro Gomes deve ter achado que, acima dele, não há ninguém. Que ninguém sabe mais, que ninguém entende mais, que ninguém é mais capaz nem empenhado em resolver demandas, que ninguém estuda mais. Aprendeu ontem, e da pior forma, o que já deveria ter aprendido quando criança mimada ainda nos bancos escolares de Sobral: não há senhores absolutos da verdade. Não se pode convencer os outros sendo só um pastelão, “um comédia”, uma caricatura do que um dia funcionou.
Um Ciro acorrentado ao tipo de 30 anos atrás foi o único que, entre personalidades diversas do mesmo espécime, compareceu ao debate. Vendo ontem o bolsonarista Ciro Gomes na TV Bandeirantes, o eleitor pode ter mais uma vez pronunciado uma frase e/ou sentença que desaba avassaladora sobre a história e tudo o que não aconteceu na vida pública do personagem: “Que morte horrível!”
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Fora isso, merece atenção especial a ausência do candidato do partido Novo no debate da Band. Pedro Brito (foto ao lado) avisou que não iria “por razões de planejamento estratégico da equipe” – um eufemismo para “não tem o que falar”. Perdeu chance de mostrar o que é, o que faz (ou não) da vida, como pensa (ou não) e o que pode (ou não) sugerir. Rebolou no mato uma oportunidade até bacana de ao menos se expor. E tudo de graça, 0800 legítimo.
Sem querer fazer galhofa com coisa séria, a gente pode dizer que o Novo abortou um momento de exibir aquele que está ocupando o espaço do senador Eduardo Girão, que preferiu ser coadjuvante de Romeu Zema no enredo da disputa nacional do que ser protagonista no dramalhão estadual.
Mas devo admitir que não faria diferença nenhuma se tivesse participado. O partido, o candidato e os patronos dele não parecem interessantes nem razoáveis. Mas fica o toque, Pedro Brito: quem não aparece não é lembrado.


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