The Intercept: “Dois Flávios, dois banqueiros e R$ 900 mil de doação suspeita”

Por Eduardo Goulart, jornalista, no site The Intercept:

Seguir o rastro do dinheiro – o famoso follow the money – é uma daquelas regras de ouro do jornalismo investigativo que nunca saem de moda. E foi exatamente aplicando essa máxima que chegamos na nossa mais recente apuração.

[É o caso do candidato de Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira em MG, que recebeu R$ 900 mil de banqueiro denunciado por fraude.]

Ao vasculhar o ranking dos principais doadores destas eleições, um nome soou a sirene do meu radar: Carlos Geo Quick.

Ele figurava como o 21º maior doador individual de pessoa física do país, após abrir o cofre e injetar R$ 900 mil na campanha de Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo de Minas Gerais – justamente aqui no meu estado.

Decidi fazer o que fazemos de melhor: puxar o fio da meada. Fiz uma busca por processos judiciais em nome do empresário e encontrei uma ação criminal pesada.

Quick, ex-controlador do Banco Neon, é réu na justiça federal por gestão fraudulenta. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal sob a acusação de inventar empréstimos fictícios para lastrear captações ilegais, lesando investidores e fraudando o sistema bancário.

Por aqui, Quick não é exatamente reconhecido como a pessoa mais honesta. Coincidência ou não, assim como ele, o banqueiro Daniel Vorcaro também fez fortuna na região metropolitana de Belo Horizonte. Ambos são homens do mercado financeiro que compartilham três coisas: Minas Gerais, a sombra de fraudes bancárias e a proximidade com o Partido Liberal, o PL.

Do mapa de doações ao palanque

Chamei o repórter Vinicius Madureira para tocar essa história comigo. O Vini tem um faro rápido e logo conectou os pontos da agenda política local: o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira estavam a caminho de Minas Gerais para subir no palanque de Flávio Roscoe, com direito a motociata e comício.

Olha o PL aí, gente! A história, então, ganhou um gancho factual perfeito e ficou redonda.

O contraste é inescapável. É fascinante observar o verniz moralista do PL derreter quando iluminamos quem assina os cheques.

Em maio, mostramos que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro R$ 134 milhões para bancar o filme “Dark Horse”. E, assim como o presidenciável, agora outro Flávio – o candidato a governador de Minas – também precisa explicar melhor sobre suas relações com banqueiro investigado…

E na sua região?

Você sabe quem são os maiores doadores dos candidatos a governador do seu estado?

Se notar algum nome suspeito financiando campanhas na sua cidade ou estado, me mande a pista. Nosso time vai atrás!

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